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AS CLÁUSULAS DE RESCISÃO MILIONÁRIAS

Simão Neto

As cláusulas de rescisão milionárias são ótimas para empresas em que o produto não é um humano, colocam-se preço muito altos, para valorizar o produto, para que nem toda a gente o possa comprar, mas que todos gostariam de ter.
Então e as cláusulas milionárias dos jogadores de futebol de 17, 18, 19 anos? Estaremos a valorizar o produto ou a estragar o produto (jogador)?
Quando damos uma cláusula de rescisão muito alta ao jogador, estamos a dar a entender ao atleta que ele já é muito bom, que já não precisa de lutar por melhorar todos os dias o seu jogo.
Estamos a dar ordenados milionários a miúdos, alguns deles que nunca fizeram um único jogo pela equipa principal. O jogador já é rico só pelo potencial, sem o merecer.
Por outro lado, quando um jovem como o João Félix, custa uma fortuna, tem que provar a todos que é especial, não tem margem de erro, tem logo à partida uma pressão externa de evidenciar o seu preço, que nenhum jovem de 19 anos deve sofrer. Tira-lhe o gosto pelo jogo e pelo treino, cria-lhe uma ansiedade que é muito difícil suportar.
Quem ganha com as cláusulas milionárias? A maioria das vezes, nem são os clubes formadores, mas sim os empresários, que a única coisa que fazem é inflacionar os jogadores e ganharem dinheiro à sua custa.
Quantos jogadores apelidados de craques, que custam fortunas, com 18 ou 19 anos, não dão nada como jogadores? O que os motiva a treinarem-se ao máximo, se já tem os carros da moda, as roupas da moda, as miúdas mais giras das festas, as jóias mais caras, podem viajar para sítios paradisíacos, montes de amigos, para quê levantarem cedo para treinar, treinar no duro todos os dias, deitar cedo, ter uma vida regrada, se já é compatível com um atleta de alta competição?
Muitos jovens craques chegam às grandes equipas e não jogam, não têm competição e espaço para poder jogar, errar, voltar a tentar e errar e voltar a tentar. Quer isto dizer:
crescer. Em vez disso, treinam e nunca jogam, deixam de acreditar nas suas capacidades, ficam nas suas zonas de conforto a usufruir dos seus salários milionários e deixam de chegar a todo o seu potencial e, possivelmente, de chegar a um nível de jogo muito elevado.
 
Por último, os salários milionários e o medo de falhar levam jovens talentos como Nick Kyrgios a preferir o conforto da fama e dos cachês milionários, do que a treinar no duro e a fazer todos os sacrifícios que um atleta de topo, neste caso do ténis, tem de fazer para tentar chegar ao auge. No fundo, ele prefere ser um jogador talentoso, mas não faz nada para chegar ao topo, pois o seu dom basta para estar num bom nível e o medo de falhar que muitos têm, assim como, as críticas ferozes que se fazem a jovens de 18 a 19 anos podem matar psicologicamente qualquer atleta.
 
 

Simão Neto

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