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"Chegar ao Mundial seria o momento mais alto da minha carreira"

António Conceição é mais um treinador português a difundir pelo mundo do futebol o prestígio dos grandes técnicos do nosso futebol, ao leme da seleção principal dos Camarões.A carreira internacional do bracarense, que já foi campeão na Roménia e amealhou, só nesse país, seis troféus enquanto treinador, não deixa margem para dúvidas sobre a sua qualidade e agora é por terras africanas que tenta atingir um ponto alto e merecido de uma já longa carreira – chegar a um Campeonato do Mundo de futebol.Antes, porém, há uma Taça das Nações Africanas para disputar e toda uma equipa para montar, no sentido de preparar os «Leões Indomáveis» rumo às fases finais das grandes competições internacionais de seleções, onde os Camarões querem estar como uma das maiores potências do continente.É, precisamente, a fase inicial deste trabalho o tema central de uma entrevista do técnico ao Complexo Desportivo, onde António Conceição falou do que está a trabalhar para ajudar os Camarões a concretizar os seus objetivos.  
 
COMPLEXO | Na sequência de uma carreira muito rica, que já o levou por vários países e à conquista de oito títulos, o António Conceição abraça um novo desafio, de comando da seleção dos Camarões. De que forma surgiu a oportunidade deste convite e quais os motivos que o levaram a aceitar?
ANTONIO CONCEIÇÃO | Já ando no futebol há muitos anos e fazemos contacto e temos amizades em vários sítios, quer em Portugal quer no estrangeiro. O convite surgiu através de um contacto de um amigo meu, que me contactou para saber se eu estaria disponível para uma reunião e a partir daí as coisas encaminharam-se com naturalidade. Tivemos uma primeira reunião em França, seguindo-se uma reunião nos Camarões e as coisas aconteceram com naturalidade. Aceitei o desafio e estou feliz. Os Camarões são uma seleção muito conceituada, que conta com presença nas fases finais do Mundial, com cinco CAN conquistadas e é uma seleção de referência em África e no Mundo.
Quando chegou à Federação Camaronesa para assumir este trabalho, quais as funções e responsabilidades que lhe delegaram, de modo a promover o desenvolvimento das seleções camaronesas e a qualidade do trabalho realizado nesta estrutura?
O nosso trabalho incide mais sobre a seleção principal. Temos uma responsabilidade muito grande, uma vez que os Camarões vão organizar a CAN 2022 e jogando em casa queremos obviamente ter sucesso, chegar à final e ganhar. Nós também nos disponibilizámos para ajudar no desenvolvimento do futebol de formação, a fim de procurar implementar algumas ideias e caminhos que serão benéficos para as selecções jovens e, ao mesmo tempo, criar um gabinete de observação e base de dados, no sentido de garantir que os jovens camaroneses que vêm para a Europa, muito prematuramente, não se percam no caminho, ou seja, em vez de representaram outras seleções como aconteceu com alguns jogadores, mantenham uma ligação afetiva que os leve a manter a ideia de vir representar a seleção dos Camarões. Esse é um trabalho que estamos a procurar fazer junto dos responsáveis da federação, pois é importante sensibilizá-los que esse trabalho tem de ser feito e implementado de uma forma afirmativa para que esses jogadores possam vir a frequentar o espaço das seleções.   
Em relação a objetivos que lhe foram pedidos, quais são as metas a que os Camarões se propõem a atingir consigo?
Temos grandes objetivos e, na CAN, temos grande responsabilidade, pois como organizadores queremos chegar à final e ganhar. Outro objetivo passa por vencer o grupo de qualificação de acesso para o Mundial do Qatar, ir para o play-off de acesso ao Campeonato do Mundo e procurar marcar presença no Mundial.  
A pandemia veio alterar o normal funcionamento da seleção. Os Camarões ainda têm quatro jogos para realizar na qualificação mas, antes desta paragem, fez dois jogos. Qual as ilações e a sua perspetiva relativamente à equipa?
A ideia que fiquei é que existe matéria para fazer um bom grupo de trabalho e uma seleção competitiva. É óbvio que existem coisas a trabalhar, principalmente no aspeto técnico-tático, sendo que é muito difícil em conformidade com o tempo que temos para trabalhar. Os jogadores chegam à seleção, fazem dois jogos em apenas oito dias e essa margem de tempo para trabalhar e incutir as ideias do selecionador não é fácil. Procuramos aproveitar a experiência e qualidade dos jogadores e influir no que são as dinâmicas de grupos, ou seja, a motivação, ter orgulho de estar na seleção, criar laços de união e fortificar o espírito de equipa. Obviamente, que na fase final, temos mais tempo e aí podemos trabalhar melhor o que são as ideias de jogo e estratégias para preparar a equipa. O que eu senti é que temos algumas necessidades no plantel, que será descobrir um ou outro jogador com características diferentes daqueles que temos neste momento, para poder dar equilíbrio em todas as nuances de que uma seleção precisa. Sinto que tenho um bom grupo e ainda há jogadores que estão afastados da selecção, que estamos a tentar sensibilizar para regressarem. 
Qual foi a sua perceção da reação do «núcleo-duro» que compõe atualmente a lista de convocados. Até que ponto isto não poderá augurar que os Camarões estarão na linha da frente para ganhar a CAN em 2021?
Quando chega um novo treinador há, claramente, algumas dúvidas por parte dos jogadores, principalmente sobre as ideias do treinador, a sua postura e qual o seu relacionamento com os jogadores, tudo isto é um conjunto de interrogações que eles fazem a si próprios e depois vão desmontando com o tempo. Felizmente, para nós, tivemos o cuidado de ter conversas individuais com os jogadores e depois em grupo, mas fundamentalmente individuais, para percebermos qual é o caminho que poderíamos percorrer juntos, ou seja, o que seria importante para os jogadores que fosse implementado pelo treinador no espaço da seleção para que houvesse um pensamento e uma ideia comum relativamente ao caminho que deveríamos seguir. Senti feedbacks muito importantes e, nas duas vezes que nos juntamos, senti uma reação muito boa relativamente à nossa chegada, pois eles pensam e sentem que nós poderemos acrescentar algo diferente à seleção, um clima mais solidário e compreensivo e que o treinador vem com decisão própria e que vai tomar e seguir as suas próprias ideias. Um regime de relação aberta entre treinador e jogadores é saudável, desde que haja respeito e uma linha de entendimento em que eles sabem quem é o líder e penso que temos uma boa atmosfera no grupo da equipa nacional. Queremos que os jogadores venham à seleção com prazer, sintam que tem um líder que é convicto nas ideias que defende e que projete e esteja do lado do grupo de trabalho para que eles tenham o rendimento máximo ao serviço da seleção.  
Relativamente aos adeptos da seleção, como sentiu que o país vive esta seleção e como descreve o seu apoio?
Para os camaroneses o mais importante de tudo é o futebol e neste caso a seleção nacional, a seleção dos “Leões Indomáveis”. Eles vivem diariamente tudo o que se passa relacionado com a seleção e com intensidade. Quando andamos nas ruas da capital Yaoundé, sentimos a intensidade e a forma que o povo sente a seleção. Sentimos uma obrigação muito grande de fazer um bom trabalho aliado aos resultados, que são uma exigência.  Os camaroneses vivem com intensidade o que os jogadores fazem além-fronteiras, uma vez que temos 99% dos jogadores jogam fora do país e eles acompanham a carreira de todos eles com grande fervor. Uma vitória de um dos atletas é como se fosse um título para eles. 
Uma presença na CAN e mesmo no Mundial o que significaria para o António Conceição?
A oportunidade está aí. Ao conseguirmos esses objetivos de estar na fase final do Mundial e conquistar a CAN a nível de carreira pessoal seria um momento marcante e de muita felicidade. Certamente seria o momento mais alto na minha carreira.

Entrevista produzida por Luís Leal e Gonçalo Novais

 

 

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Data de publicação: 2020-10-31

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