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"tentar equiparar o Futebol ao Futsal jamais terá sucesso! Os clubes vão “engolindo”."

Miguel Pereira, aos 44 anos, assumiu mais um desafio na sua carreira, ao aceitar o convite do Clube Académico Sangemil, que compete na 2ª divisão nacional. Em entrevista ao Complexo Desportivo, Miguel Pereira fala-nos sobre vários assuntos: o futsal nacional e o seu crescimento, a saída do Estrelas Susanenses e o que espera para este novo projeto no emblema maiato.
Entrevistador: Luís Leal (Complexo Desportivo)
Entrevistado: Miguel Pereira
 
Complexo | Como técnico, o Miguel Pereira já passou por vários clubes portuenses do futsal. Qual a sua avaliação relativamente à evolução do futsal portuense?
Miguel Pereira | Antes demais, quero agradecer o convite para esta entrevista e desejar a todos um Feliz 2021. Em relação à primeira pergunta, julgo que a evolução do Futsal Portuense está muito aquém do potencial existente. Continuamos todos a olhar cada um para o seu umbigo, em vez de uma visão mais global e abrangente. Reconheço nos últimos anos (pena esta paragem forçada devido à pandemia) uma forte evolução ao nível da formação por parte de vários clubes e mais recentemente um trabalho fantástico das seleções jovens na A.F. Porto, mas ao nível dos escalões seniores, continuam a existir demasiados egos que impedem uma evolução mais sustentada da modalidade.
 
Qual a sua opinião relativamente à estruturação imposta pela Federação Portuguesa de Futebol do Futsal nacional para as próximas épocas?
Tantas têm sido as estruturações nos últimos anos, que sinceramente já nem sei se é defeito ou apenas desconhecimento. Esta tentativa de tentar equiparar o Futebol ao Futsal jamais terá sucesso! Os clubes vão “engolindo”... Até um dia! Louvo o esforço da FPF na tentativa de promover e fazer crescer a modalidade, mas é preciso ir para o terreno e conhecer a realidade. Como já referi, várias vezes, Futsal não é Futebol. Assim como, xadrez não é damas, nem hóquei em patins é hóquei de campo, nem tênis é badminton, nem futebol americano é rugby... Venham para o terreno. Conheçam a realidade do Futsal em Portugal antes de estruturar, reestruturar e voltar a estruturar. Vir ainda mais “gente” do Futsal para o Futsal é o grande desafio.
 
O Miguel Pereira levou o Estrelas Susanenses à Divisão Elite AF Porto, mas esta época os resultados não foram os melhores e acabou por deixar o comando técnico da equipa. Quais as razões da saída?
O projecto do Estrelas Susanenses era estabilizar a equipa na Divisão de Honra, após um ano histórico para o clube com a conquista do campeonato na 1ª divisão. Com muitas saídas de atletas fundamentais o objetivo era claro: Apostar na formação e estabilizar o clube na Divisão de Honra. Como sabe, fruto da pandemia, a subida à Divisão de Elite caiu do céu. Um presente envenenado. Jamais esse era o objetivo. Recebi-o de bom grado, mas na verdade e apesar de todos os esforços da direcção, não conseguimos formar um plantel capaz dessa exigência- Apesar de acreditar que poderíamos ser competitivos, a realidade forçou-nos a vários confinamentos devido à COVID19 e os resultados teimaram em não aparecer. Jogamos na Ordem após o terceiro confinamento profilático da época, com apenas um treino na véspera e o resultado desse jogo ditou uma tomada de posição da minha parte, colocar o lugar à disposição. A resposta foi que apenas seria tomada uma decisão após os próximos 2 jogos, antes do final do ano, Paredes e Leixões, o que para mim significou total falta de confiança no meu trabalho. Jamais aceitaria estar dependente do resultado de um jogo, daí ter informado o clube, que o jogo com o Paredes seria o último ao seu serviço. Obviamente, que os jogadores se aperceberam da situação e tudo fizeram para ganhar aquele jogo... Mas, a decisão estava tomada! Sem ressentimentos e eternamente grato a toda a estrutura de Futsal do clube e ao grupo de trabalho, a quem desejo o maior sucesso.
 
Na sua opinião o que correu mal para a equipa não ter conseguido bons resultados?
Às vezes a bola bate no poste e entra, outras sai. Quando isso for fator determinante para um projeto, não contem comigo. Tínhamos no plantel, 1 júnior de primeiro ano, 2 juniores de segundo ano, 4 Sub20 e 4 seniores de primeiro ano, juntando-se-lhes alguns atletas com mais experiência, mas longe da exigência e experiência de uma divisão de elite. Sem desculpas, era o plantel possível, escolhido por mim, e não tinha dúvidas que os resultados iriam aparecer, assim todos tivessem acreditado, o que não foi o caso.
 
Logo após a saída do Estrelas Susanenses foi anunciado no Sangemil, da 2ª divisão nacional. Como surgiu o convite?
Por mais que tentem pintar, esta é a realidade: Nunca houve nenhum convite do Sangemil até à minha saída do Susanenses!.Aliás, nunca houve nenhuma abordagem sequer em momento algum no passado. Nesse momento, após o jogo com o Paredes eu tinha decidido fazer uma pausa no Futsal. Estava demasiado chateado e triste. Para além de tudo, a minha família merecia uma pausa. Posso dizer que após poucas horas da minha saída tive 3 convites. O do Sangemil era irrecusável. Aliás um sonho antigo. Não tinha como dizer não.
 
O Sangemil está a lutar pela manutenção na série C da 2ª Divisão Nacional, mas a obrigatoriedade de vencer coloca muita pressão. O que o levou aceitar o convite e como sente este desafio?
Confesso que a primeira coisa que fiz após aceitar o convite, foi ver a classificação e a quantos pontos estávamos dos 4 primeiros. Matematicamente, era possível. O que me levou a aceitar o desafio foi isso mesmo... O desafio! Quem tem medo joga damas.
 
Como sentiu a equipa do Sangemil com a sua chegada? Um grupo jovem, fantástico. Com uma ideia de jogo muito clara e bem trabalhada pelo meu antecessor e amigo Zézinho. Quiçá uma equipa triste fruto dos resultados negativos, mas com uma disponibilidade e vontade enorme em reverter a situação. A prova disso foi a vitória “deles” frente ao Gaia, na minha estreia. Como lhes disse, foram uns monstros e juntos tudo faremos para alcançar os objetivos.
Este período festivo dá alguma margem para trabalhar e impor as suas ideias. O que irá procurar modificar na equipa para conseguir assegurar a presença nas competições nacionais?
É complicado! Para equipas que não têm pavilhão próprio, a maior parte, é difícil perante tantas dificuldades arranjar horas de treino. É outra equação, para além de tudo o resto. O principal foco é potenciar o que já existe, introduzindo obviamente algum cunho pessoal na ideia de jogo. Sobretudo, passando por uma maior aproximação aos escalões de formação.
 
O Sangemil estava trabalhado e assente num modelo de jogo enraizado no clube pelo anterior técnico. Será o Miguel a adaptar-se ao sistema da equipa ou irá procurar alterações para que a equipa siga o seu sistema e modelo de jogo?
Curiosamente, ou não, as minhas ideias de jogo são, de certa forma, semelhantes ao meu antecessor! Eventualmente, ao nível do treino teremos algumas diferenças, mas no geral andamos lá perto. Pretendo acrescentar algum cunho pessoal, não estragando, de todo, o que de bom já existe. O que mais me surpreendeu, positivamente, foi o conhecimento que os atletas têm do jogo e dos seus momentos.
 
Como define resumidamente a sua ideia de jogo?
Não é segredo para ninguém que as minhas equipas “tentam” defender zona e prefiro o sistema 1x3x1 em processo ofensivo, com grande agressividade na reação à perda para transição rápida. Num plantel com 2 pivots de tanta qualidade é normal que use essa vantagem mais vezes na nossa ideia. Julgo que estava “desaproveitada”. É fundamental os atletas conhecerem o jogo, a ocupação dos espaços e perceber onde está a vantagem em cada momento. Rotinas que iremos evoluir em treino, sem dúvida nenhuma.
 
O Miguel Pereira por norma tem sido um técnico que procura nos escalões de formação algumas soluções para a equipa principal. Qual será a sua ligação aos escalões de formação do Sangemil?
Sim, é verdade que tento ter sempre uma forte ligação aos escalões de formação. Continuo a acreditar que o caminho tem que ser por aí. Obviamente, que no Sangemil não será excepção, com presenças constantes nos treinos dos escalões inferiores, sempre com o objetivo de ajudar e de aprender. Defendo que os 3 escalões (Juvenis, Juniores e Seniores) devem trabalhar em total sintonia. Tem sido constante a presença de atletas juniores nas sessões de trabalho e será uma medida para manter.
 
Quais serão os maiores desafios, enquanto técnico, para conseguir potenciar a equipa e assegurar os objetivos propostos pelo Sangemil?
Treinar. É a única forma que conheço para melhorar rendimento. O objetivo é manter o clube nos Campeonatos Nacionais, projetando o futuro, cada vez mais assente no trabalho da formação.
 
Na sua opinião, relativamente à estrutura atual do Sangemil, considera que a mesma está dotada dos mecanismos e recursos adequados para o patamar competitivo da 2ª divisão?
Sem dúvida nenhuma. Em termos de organização, rigor e competência, é ao nível do melhor onde já treinei, seja a que nível for do Futsal.
 
Muitos adeptos olham com alguma desconfiança para a sua contratação, que mensagem gostaria de lhes deixar?
Desconheço qualquer desconfiança relacionada com a minha contratação. Julgo que não fui contratado por ser bonito, mas SIM pela minha competência. Tenho 44 anos de idade, sou treinador desde os 17, tirei o nível 2 em 2010 e estou inscrito num próximo nível 3... Nada me foi dado no Futsal. Tem sido a pulso. Já treinei todos os escalões e competições distritais possíveis, Fui Campeão, Ganhei, Perdi, Subi, Desci, Liderei meninos, meninas, homens e mulheres... EU AMO ESTE JOGO e jamais me desviarei dos meus princípios enquanto Treinador e Homem. Aos verdadeiros adeptos e aos amigos do Futsal, desejo um FELIZ 2021. Aos restantes, um Bom 2021 também. Gostaria de deixar uma palavra final a este Fantástico grupo de trabalho que me recebeu tão bem, a toda a estrutura do CAS, (Sr Carvalho, Sr João, Prof. Savedra e também aos responsáveis pela formação e amigos Rui Barbosa e Sérgio Gonçalves), na pessoa do seu Presidente, o Sr. Joaquim Reis e sobretudo à equipa técnica que me acompanha há vários anos, Carlos Antunes e Paulo Sousa, que tantas vezes me têm aturado e continuam a acreditar no rumo que queremos nesta modalidade que AMAMOS. Obrigado.
 

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Data de publicação: 2021-01-02

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