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"Os clubes têm que se reinventar dadas as novas exigências"

O técnico Emanuel Silva, tem 44 anos, chegou ao FC Águias Santa Marta a meio desta temporada com o objetivo de assegurar a manutenção da equipa penafidelense na 1ª Divisão Nacional de Futsal Feminino. Natural do Marco de Canaveses o técnico sentiu a falta do treino e da competição e resolveu aceitar o desafio. 
 
Entrevistador | Luís Leal
Entrevistado | Emanuel Moreira
 
COMPLEXO | Chegou ao FC Águias Santa Marta no final da 1ª fase, e agora está a lutar pela manutenção na 1ª Divisão Nacional de Futsal Feminino. Como surgiu o convite e o que o motivou a aceitar o desafio do futsal feminino?
Emanuel Moreira | A minha relação com o FC Águias de Santa Marta já vem desde 2010, altura que nos cruzamos, como adversários, no campeonato amador organizado pela, à data, Federação de Futebol Amador do Concelho de Penafiel. Desde então, sempre acompanhei o clube, como adepto da modalidade. Por diversas vezes, ao longo dos anos, fui abordado para assumir o comando técnico da equipa, mas entendia que não estavam reunidas as condições para aceitar os convites formalizados. Essencialmente, por questões profissionais. Desta vez, por ambição, o facto da pandemia, o não estar comprometido com qualquer clube, as saudades de regressar ao processo de treino, à emoção dos jogos, aliados à competitividade que seria a 2.ª fase do campeonato nacional, levaram-me a aceitar o desafio.
 
Como sente que tem sido a reação da equipa ao seu método de trabalho? Foi fácil a interiorização das novas ideias pelas atletas?
EM | A equipa acolheu-me de forma muito positiva, motivada e empenhada para trabalhar. É sempre complicada a adaptação à mudança. Faz parte da condição humana. Contudo, o processo foi explicado, foi sendo trabalhado de forma empenhada. Existia uma enorme vontade de trabalhar e isso ajudou imenso. Desde o primeiro momento que a ideia vincada foi que o foco é o coletivo, que nos iriamos focar em potenciar as qualidades de todas as atletas, sempre com o coletivo como objetivo principal. Perante isto, foi fácil a comunicação, dado que a complexidade das tarefas foi surgindo de forma gradual e por exigência do grupo. Em momento algum, houve uma imposição de pontos de vista, ou de ideias fixas. Com o foco sempre bem definido, foi-se flexibilizando o trajeto do processo de crescimento sustentado pretendido para a equipa.
 
A equipa tem revelado muita capacidade ofensiva. O que procurou alterar no sistema de jogo para a equipa, indo ao encontro da sua ideia de jogo?
EM | O foco do meu trabalho é potenciar as atletas, tendo como premissa o coletivo.
O processo assenta numa ideia de jogo positiva, atrativa, onde cada atleta tem importância determinante. A individualidade não pode ser a regra, mas sim o complemento.
 
Quais as maiores dificuldades em competir na atual situação de pandemia? 
EM | A insegurança. Num primeiro momento e dado não existir qualquer controlo (além da desinfeção das mãos à chegada ao pavilhão e à medição da temperatura), a incerteza quanto à existência de risco elevado de contágio, torna-nos mais distantes, menos comunicativos. Isto num desporto coletivo, que requer contacto, afeto no sentido de incentivo a melhorar determinado comportamento/ação, torna o trabalho muito mais complexo.
 
Como tem o plantel lidado e convivido com toda esta situação? Sente que existe medo por parte das atletas?
EM | Atendendo a que boa parte do plantel já esteve infetado e face ao relato dos sintomas vividos, a questão do medo foi ultrapassada, levando o grupo para outros patamares de comportamento, outra consciencialização perante o problema.
 
Qual a sua posição em relação à FPF, pela continuidade da competição, uma vez que as equipas não são profissionais? 
EM | O desporto é uma garantia de uma sociedade civilizada. É muito importante para o desenvolvimento do cidadão e a sua integração numa sociedade de bem.
A continuidade das competições fazia sentido, contudo deveriam ter sido tomadas algumas medidas que contribuiriam para a minimização do risco. Essas medidas tardaram, mas chegaram.
 
As competições femininas vão sofrer uma reformulação nos quadros competitivos nas próximas épocas. É a favor do atual modelo ou considera que o modelo que irá ser implementado vai mais ao encontro do crescimento do futsal feminino? Porquê?
EM | Concordo muito mais com o modelo que vai ser implementado. Aumenta muito mais a competitividade e potencia o crescimento técnico tático das atletas.
Receio é que falte, da parte da entidade organizadora, um acompanhamento essencial aos clubes. Não basta redigir e implementar regulamentos, é necessário um trabalho de campo junto das associações, face à disparidade de realidades que competem e continuarão a competir neste quadro competitivo. A questão logística, financeira, de conteúdo programático, de formações para todos os intervenientes é fundamental para que este novo quadro competitivo vingue.
 
O campeonato irá entrar na fase decisiva, Águias de Santa Marta está bem colocado para assegurar a manutenção. Quais os adversários mais fortes na luta pela manutenção?
EM | Todos são adversários difíceis, pois apresentam argumentos nos jogos que realizam. Depois há a diferenciação quanto às condições de trabalho, fruto da dimensão das instituições cujas equipas representam. E, deste prisma, temos o Sporting CP, clube centenário, o GD Chaves, CR Golpilheira primeiro campeão nacional nos moldes atuais de competição, com duas zonas.
O Águias de Santa Marta já está a algumas épocas na 1ª Divisão do Futsal Feminino. O que, na sua opinião, falta para a equipa procurar elevar o patamar e lutar de igual para igual entre as oito primeiras equipas?
EM | Estrutura. Envolvência da região em torno do projeto. Trabalho de base no que diz respeito à formação de atletas. Celebração de protocolos com outras Associações Desportivas da região, com vista ao crescimento da modalidade nesta área geográfica.
 
A paragem prolongada das competições de formação, poderá provocar um retrocesso no futsal feminino? O que deve ser feito pelos clubes de forma a minimizar este impacto e conseguir formar atletas capazes de no futuro rapidamente integrar as equipas seniores?
EM | Sim, provocará com certeza um retrocesso face à reação que a população desenvolveu com a inexistência da prática desportiva. O medo de deixar a filha ir treinar, será certamente o grande obstáculo a ultrapassar. Os clubes têm que se reinventar dadas as novas exigências da vida em sociedade. A prática desportiva está cada vez mais complexa. A exigência para com os treinadores e as suas qualificações, são cada vez mais esmiuçadas. Os dirigentes têm que, também eles, dar esses passos em frente. A reorganização das Associações Desportivas é fundamental para a sua sobrevivência. Contudo, isto acarreta custos elevados, orçamentos que não se trabalham. O desafio é criar novas sinergias regionais, abrir o leque de parceiros e estipular etapas de crescimento balizadas no tempo.
 
É a favor ou contra a profissionalização do futsal já nas próximas épocas? Porquê? 
EM | Creio que nas próximas épocas é um passo inevitável, haja coragem e ambição para o concretizar.
No feminino, há clubes que ainda precisam atingir um estado de maturação, contudo esse processo só acontecerá se for provocado pelas entidades responsáveis, com poder de decisão.
O futsal feminino não pode estar refém da evolução do futsal masculino. São caminhos distintos.
Entendo que a profissionalização não pode ser imposta, assim como também não se pode estar à espera que aconteça por obra e graça do Espírito Santo. Há que agir, provocar, ter ambição, resiliência.
Os treinadores têm, fruto da legislação em vigor, um grau de exigência praticamente profissional, dadas as formações que estão obrigados a frequentar para manterem ativos os Títulos Profissionais de Treinadores de Desporto. As atletas têm que fazer imensos quilómetros para poderem competir num campeonato nacional. Os clubes têm que se adaptar às exigências de uma competição que obriga a deslocações de centenas de quilómetros mensalmente. Tudo isto num contexto de puro amadorismo. É chegado o momento de virar a página, de percorrer um caminho de convicção.
Na próxima época irá continuar à frente do Águias de Santa Marta, ou é um assunto que ainda não foi discutido com a direção?
EM | É um assunto que não faz parte do dia a dia.
 
A falta de público é um fenómeno novo e diferenciador na competição. Do que é que sente mais falta?
EM | Sou da opinião que para existir fenómeno competitivo, são necessárias várias premissas, equipas para se defrontarem, equipas de arbitragem, bola e público. Faltando uma destas premissas, o fenómeno desportivo não está completo.
Sinto falta das reações vindas da bancada face ao que as equipas estão a produzir dentro de campo. O calor humano é essencial ao sustentado desenvolvimento de algo. O desporto não é exceção.
 
Que mensagem gostaria de deixar adeptos do FC Águias de Santa Marta?
EM | Acreditem, sejam exigentes, mas nunca virem costas às instituições.
Fotos: Cedidas pelo técnico Emanuel Moreira
Correção de Texto: Marina Leão
 

 

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Data de publicação: 2021-03-12

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