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"Deixei-me levar pela vaidade, pela falta de humildade e ter qualidade só não chega"

Paulo Monteiro lateral esquerdo e capitão do SC Freamunde, numa carreira que iniciou em Freamunde, mas seguiram-se outros caminhos ao longo dos anos. Da formação freamundense passou a profissional de futebol, jogou na II Liga e depois voltou aos campeonatos distritais. Aos 29 anos, o lateral é uma das referências no plante do SC Freamunde que luta por regressar aos campeonato nacionais, ele que aceitou voltar para ajudar o clube na pior fase da sua história. 
Uma Entrevista aberta, em que Paulo Monteiro fala sem qualquer tipo de preconceito sobre todos os assuntos de forma direta.
 
Entrevistador: Luís Leal (Complexo Desportivo)
Entrevistado: Paulo Monteiro
 
Complexo | A pandemia veio condicionar toda a atividade desportiva. Como tem sido estar longe dos relvados?
Paulo Monteiro | Tem sido difícil, não só estar longe dos relvados, mas também não poder competir e usufruir de tudo aquilo que o futebol nos proporciona.
 
O que fazes para manter a condição física e psicológica na ausência de treinos e jogos?
PM | O psicológico torna-se mais difícil, porque neste momento somos quase “obrigados” a ficar confinados às nossas casas e não há muita coisa que possamos fazer, mas sempre que há tempo e disponibilidade acabo por fazer algum exercício, mas como é lógico nunca é a mesma coisa.
 
Ainda existe muita indefinição relativamente de como irá terminar a temporada. Qual a tua opinião sobre o assunto?
PM | Sinceramente, o erro não foi parar na altura que pararam, mas sim, terem iniciado uma época sem terem garantias ou condições para que ela se pudesse realizar até ao fim. Acho que toda esta situação não é benéfica para nós jogadores, nem para os clubes, mas agora temos que esperar pela decisão da AF Porto.
 
Fizeste grande parte da tua formação no SC Freamunde e foi aí que te estreaste como sénior profissional em que estiveste três épocas. Porquê e como foi a tua saída do clube em 2011/2012?
PM | Infelizmente, não consegui corresponder às expectativas dos responsáveis do clube na altura e então quando chegou ao final do contrário acabei por vir embora e como é lógico foi difícil sair do clube, mas compreendi, porque tinha completa noção que havia falhado enquanto jogador.
 
Depois tiveste outras experiências profissionais, quer no Trofense como no Famalicão, e inclusive em competições nacionais. Depois voltaste às competições distritais. O que faltou ou o que correu mal para não continuares a ser profissional de futebol?
PM | Sempre disse e não escondo que não fui mais além por culpa própria.
Tanto no Freamunde, como no Trofense na altura ainda era 2 liga, não fui capaz de aproveitar as oportunidades que me foram dadas. Deixei-me levar pela vaidade, pela falta de humildade e hoje em dia ter qualidade só não chega, se não tivermos a cabeça no lugar e os pés bem assentes no chão não vamos a lado nenhum.
 
Em 2018/2019 foste convidado a regressar ao SC Freamunde numa fase muito conturbada na vida do clube. O que te fez regressar e aceitar?
PM | O coração sem dúvida alguma. O Freamunde foi o clube que me ajudou a crescer, foi lá onde fiz toda a minha formação e achei que era altura de voltar para ajudá-lo a sair da situação que estava,
 
Esta época o SC Freamunde assumiu a candidatura à subida. Consideras que o clube tem condições para subir esta temporada?
PM | O Freamunde é um clube histórico, assumindo ou não a candidatura à subida de divisão os jogadores que vêm representá-lo sentem que é um clube diferente e claro que querem ajudá-lo a sair desta situação e voltar aos campeonatos profissionais.
 
Já tiveste vários treinadores ao longo da tua carreira, qual o que te identificaste mais? Porquê?
PM | É difícil responder a isso. Tive o privilégio de apanhar bons treinadores, se tivesse que destacar um certamente destacaria o mister Jorge Regadas, porque foi ele quem me lançou nos seniores de Freamunde. Quanto aos restantes, todos eles tiveram a sua marca na minha carreira , sendo de uma forma positiva ou negativa agradeço a todos a oportunidade de ter trabalhado com eles.
 
És o capitão de equipa de um plantel não profissional. Quais são os principais desafios de um capitão para com os seus colegas e para com o clube?
PM | Antes de ser capitão eu sou amigo de todos aqueles que fazem parte do plantel. Eles sabem que podem contar comigo para o que precisarem e também sabem que sempre que saírem do rumo que o clube tem traçado eu serei o primeiro a chamar à atenção.
 
O plantel não recebe salários, mas sim ajudas de custo e essas nesta época de pandemia são fundamentais para muitos atletas. Atualmente, o SC Freamunde tem a situação regularizada com o plantel?
PM | O Freamunde tem feito um esforço incrível para não faltar com nada aos jogadores. Todos nós sabemos da situação em que o clube se encontra, a pandemia não veio ajudar em nada, mas as pessoas responsáveis pelo clube até hoje não têm falhado, em nada, com o grupo e eu pessoalmente só lhes tenho agradecer.
Esta temporada já marcaste quatro golos, alguns deles decisivos. Como é festejar sem os adeptos? De que sentes mais falta na ausência dos adeptos?
PM | É um vazio enorme jogar sem adeptos, principalmente aqui em Freamunde. Os nossos adeptos são fora de série, acompanham-nos para todo o lado e transmitem-nos uma energia incrível, sempre que estamos dentro de campo. Sentimos falta deles e espero que eles possam voltar em breve aos estádios, para podermos vibrar novamente com eles.
 
Como vês o atual formato da Divisão Elite AF Porto?
PM | Eu pessoalmente gosto, só não concordo com a decisão do primeiro classificado de cada série não ter acesso direto à subida de divisão. É injusto uma equipa andar mais de 60% /70% do campeonato em primeiro e chegar à fase final, que se por algum motivo as coisas não coram bem, não consigam a subida de divisão.
 
Com a reformulação das competições AF Porto, no futuro a Divisão Elite irá passar para o única série. Enquanto atleta consideras que é positivo ou negativo? Porquê?
PM | Acaba por ser mais competitivo, mas também acho que deixará muitas equipas de fora que têm qualidade e com muito boas condições de estar na elite.
 
És um apaixonado pelo futebol. Como vês, atualmente, o futebol português?
PM | Muito sinceramente já fui mais, ou melhor, hoje em dia gosto de jogar futebol, mas não gosto de ver. Acho que se perde muito tempo a discutir assuntos que não fazem sentido e não se valoriza o que é verdadeiramente a essência do futebol.
 
O que achas que deverá mudar para que o futebol português possa atingir patamares das melhores ligas europeias?
PM | Eu sou muito apologista de se apostar na prata da casa. Acho que devemos mudar muito no que toca a ideia que os jogadores estrangeiros são melhores que os portugueses. Temos muito potencial em Portugal, nas formações, mas claro se ninguém apostar nos miúdos eles não conseguem mostrar o verdadeiro valor, por isso é que a maior parte chega a sénior e desiste do futebol ou decide tentar a sua sorte no estrangeiro.
 
No futuro quando largares a tua carreira de atleta (daqui a alguns anos), já pensaste se queres continuar ligado ao futebol? O que gostaria de seguir?
PM |Para ser sincero. ainda não pensei no que fazer quando desistir do futebol. A seu tempo irei decidir.
 
Que mensagem gostarias de deixar às pessoas que seguem a tua carreira?
PM | O meu muito obrigado àqueles que sempre me apoiaram e me deram força para continuar, mesmo quando as coisas não corriam bem, porque como eu digo, todos sabem lidar com o sucesso, mas lidar com o insucesso já é mais complicado. É importante ter sempre o apoio das pessoas que gostamos para conseguirmos dar a volta por cima.
 
 
Foto: Enviadas por Paulo Monteiro
Correção de Texto: Marina Leão

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Data de publicação: 2021-03-14

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