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"não é certa a minha presença em todo o campeonato”

Romeu Leite é um apaixonado por motociclismo, desde pequeno conviveu no mundo das motos, hoje é um dos pilotos de referência na velocidade em Portugal.
Depois uma longa paragem devido à pandemia que o obrigou a estar vários meses fora das pistas, o piloto natural de Lousada, regressou da melhor forma ao Campeonato Nacional de Velocidade na categoria de SuperBikes, classe rainha do motociclismo nacional, com dois segundos lugares nas primeiras duas corridas do Estoril.
Integra uma equipa composta por familiares em que considera o seu principal suporte o seu pai e a sua esposa, nesta aventura chamada motociclismo.
 
 
 
Entrevistador | Luís Leal
Entrevistado | Romeu Leite
 
COMPLEXO | Como surgiu a paixão pelas motas? Fale-nos um pouco do seu percurso no motociclismo?
Romeu Leite | Eu faço parte de uma família que tem as motos no “sangue”. O meu falecido avô (pai do meu pai) montou uma oficina na Aparecida ainda nos anos 50/ 60, embora não fosse apoiante das corridas. Por outro lado, o meu pai e o meu tio (irmão do meu pai, eles que viriam a tomar conta do negócio e a desenvolvê-lo montando, para além da oficina, um armazém – A. Faria Leite, Lda. que ainda hoje existe), gostavam muito das corridas e começaram na década de 80 a participar. O meu pai pilotou durante 1 ano e depois dedicou-se à mecânica. O filho do meu tio (José Leite) correu mais tarde durante vários anos e conquistou vários títulos e eu fui no mesmo caminho. Apenas comecei aos 20 anos, pois o meu pai nunca me deixou correr, pensa que é muito perigoso. Apesar de sempre andar de scooter até aos 20 anos, nesta altura convenci-o a fazer um teste que correu muito bem. Comecei em 2005 na classe de 50cc, ganhei logo 2 corridas e fiquei algumas vezes em 2º lugar. Desde aí , passei por várias classes: 85cc de 2006 até 2009 (Vice-campeão em 2007 e 2009) e depois as 600cc (Campeão nacional em 2010 e vice-campeão em 2014 com vários pódios e vitórias). Em 2016, iniciei a aventura nas 1000cc (Superbike) e tenho ficado nos 5 primeiros lugares do campeonato, naquela que é a classe rainha do motociclismo em Portugal.
 
Depois de uma longa pausa, regressou à competição de Superbikes do Campeonato Nacional de Velocidade. Quais as sensações sentidas ao longo da corrida do Estoril? É sempre difícil e estranho iniciar o campeonato, especialmente depois de estar parado cerca de 6 meses! Infelizmente não tive oportunidade de realizar a pré-época por causa da pandemia que atravessamos e também e, essencialmente, por causa das dificuldades económicas que o país atravessa. Apesar de tudo, foi bom voltar e desfrutar, pois cheguei a pensar que não seria possível estar presente este ano no campeonato.
 
Nas duas corridas de abertura do Estoril, o Romeu Leite conseguiu dois segundos lugares. Ficou surpreendido com este arranque positivo no campeonato?
Efetivamente, fiquei pois, como disse, não fui capaz de fazer pré-época, não sabia em que condições físicas me iria apresentar, pois pilotar uma moto com 175kg e perto de 200cv não é nada fácil, ao contrário do que se possa pensar. Isto aliado a uma semana em que não me senti bem ao nível de saúde não ajudou nada. Para além disso é uma classe muito competitiva onde os campeões “estacionam” pois não há classe mais alta para evoluir a nível nacional. Fui com uma incerteza grande para a corrida, mas felizmente acho que a minha experiência e afinações de anos anteriores foram decisivas para começarmos bem.
Na última temporada terminou o campeonato na 4ª posição. Qual é o principal objetivo do Romeu Leite para a temporada?
Essencialmente é divertir-me corrida a corrida. Foi com esse espírito que encarei a primeira prova e é assim que quero encarar o resto do campeonato. Como já não contava participar este ano, para mim é uma espécie de bónus, mas é claro que depois de um 4º lugar no ano passado, temos que tentar ficar num lugar dos 3 primeiros este ano, ou seja, no pódio.
 
Como avalia o nível competitivo do campeonato esta época?
Ao contrário do que esperava, este ano a primeira corrida teve muitos participantes ao nível geral, em todas as classes. No que diz respeito a minha classe, eu considero-a sempre muito forte pelas razões que já indiquei, no entanto é certo que a Covid-19 talvez tenha retirado algum poderio económico às equipas maiores e isso talvez possa ter ajudado a nivelar um pouco mais o campeonato.
 
Quais são as principais preocupações com sua moto Yamaha R1, e até que ponto ela ainda poderá melhorar no seu rendimento?
As preocupações, sinceramente, são grandes. A minha mota é de 2018 e estamos em 2021, a evolução não pára e quem não tem possibilidade de evoluir fica para trás. Isso aliado à falta de apoio financeiro para fazer uma revisão como se exige neste campeonato é logicamente uma preocupação, mas vamos tentar pelo menos rever o essencial na mota para poder chegar ao final nas provas. Logicamente que ainda poderíamos melhorar a moto, mas isso exigiria uma verba elevada, definitivamente não tenho uma das motas mais rápidas no campeonato, apesar disso tento fazer a diferença onde posso, como nas travagens e nas curvas.
 
Como surgiu a escolha do Nº84 na Moto? Tem algum simbolismo associado?
Sim, na família sempre tivemos o hábito de utilizar o número mediante a classificação do campeonato anterior, mas com o evoluir dos tempos e com o marketing decidi que seria melhor optar por um número que tivesse relacionado comigo. O ano de 1984 foi o ano em que nasci e como comecei tarde neste desporto, decidi adoptar o número para mostrar que nunca é tarde para fazer o que se gosta e com trabalho e dedicação podemos atingir metas interessantes.
 
Na sua opinião o que poderá ser feito pela Federação Portuguesa de Motociclismo para um maior crescimento e valorização do motociclismo e principalmente do campeonato de velocidade?
Acho que ainda existe um pouco a cultura de que quem conduz uma moto é um “louco” e acho que isso é uma mentalidade que devia mudar e que o Miguel Oliveira está a ajudar nesse sentido, acho que a Federação também devia ajudar. Quanto ao campeonato falta haver uma maior publicidade e transmissões televisivas, só assim poder-se-ia levar este desporto até alguns consumidores mais preguiçosos e ajudar as equipas a ter melhores patrocinadores, pois a visibilidade também seria maior.
 
Houve algumas incertezas sobre a participação do Romeu Leite no campeonato nesta temporada. Porquê?
Ainda não é certa a minha presença em todo o campeonato, pois ainda não temos todo o apoio que precisamos. Temos a maior parte confirmada mas ainda não toda e havendo algum azar, não chegará. Mas, a incerteza deve-se essencialmente à crise económica que Portugal atravessa. No entanto, hoje para se fazer bons resultados é necessário investir na mota e treinar muito (só consigo treinar no Estoril e Portimão), então torna-se difícil estar presente e fazer bons resultados. Como gosto de lutar por objetivos mais altos, como há alguns anos atingi um patamar que, para fazer melhor tem de haver mais investimento, e como não temos conseguido arranjá-lo, ponderamos não participar neste ano, mas na última hora decidimos arriscar mais uma vez e fazer o que mais me faz feliz durante mais algum tempo.
Qual o investimento médio que um piloto necessita para cumprir uma época desportiva no Campeonato Nacional de Velocidade?
Se já tiver o equipamento necessário e a equipa já montada são necessários seguramente cerca de 12.500€ para estar presente nas corridas (nas Superbikes). Isto sem treinar, sem quedas, sem avarias, sem praticamente peças suplentes! Para se poder estar à vontade e fazer uma boa época são precisos cerca de 20.000€. É difícil subir para uma mota que atinge 300km/h e saber que tenho que ser rápido mas não posso ter uma grande queda pois se isso acontecer é pegar nas coisas e vir embora, porque não há meios para mais. No fundo é andar no “fio da navalha”. No entanto, é certo que quando corre bem também sabe melhor.
 
Quais as principais fontes e apoios financeiros que sustentam a participação no Campeonato Nacional de Velocidade?
São os meus patrocinadores aos quais tenho muito a agradecer. Felizmente, os meus patrocinadores já me ajudam há alguns anos (Campobello; IPOV; Pinheiro & Ribeiro; Jasil; Lusomotos; Município de Lousada; Moto Clube de Lousada, Junta de Freguesia do Torno; Encosta Geométrica; Futuris; Motofundador; CSI Felgueiras; ENI; Café Tourné, Óptica Central e a A. Faria Leite, Lda.), eles voltaram a unir esforços para me dar as condições essenciais para estar presente. Claro que, algumas vezes, temos que colocar algum dinheiro pessoal, mas isso todos os anos e se for em grande qualidade torna-se impossível aguentar.
 
A participação em competições internacionais, nomeadamente no Campeonato Espanhol ESBK, será uma possibilidade no futuro? É um objetivo?
Sinceramente, seria algo que me faria muito feliz, era um passo lógico para evoluir, mas mais uma vez voltamos à mesma questão: a financeira. Neste campeonato os valores sobem ainda mais e em Portugal é muito difícil conseguir apoios, principalmente para quem está no norte do país, pois as grandes empresas estão localizadas no centro e é difícil “lá entrar”.
 
A vida de um piloto não é fácil na qual o risco associado é tremendo. Quais são as pessoas de maior suporte para si ao longo da sua carreira? Porquê?
Sim, é um risco grande mas tento não pensar nisso. Muitos dizem que é melhor viver pouco mas intensamente, do que muitos anos sem sorrir… e pilotar ainda me faz ter um sorriso de “orelha a orelha”. Sem dúvida que as pessoas que me apoiam e me ajudam mais são o meu pai e a minha esposa, pois apesar de saberem o risco que corro, também sabem que é pilotar que me faz mais feliz.
Fotografias: Romeu Leite

 

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Data de publicação: 2021-05-12

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