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COMO O BENFICA PERDE O RUMO EM MEIO ANO

Gonçalo Novais

Não há nada como olhar para a evolução de uma liderança desportiva, como recorrer aos discursos eufóricos e felizes de conquistas consumadas, que se vão transformando num desnorte de estratégia desportiva, com o simples abalo de meio ano de resultados desportivos dececionantes, num período negativo que toca a todos, mesmo aos «gigantes» dos vários campeonatos.
Há apenas uma temporada, o Bruno Lage que agora sai sem brilho pela porta dos fundos era, com toda a justiça, o grande artífice de um Benfica campeão com toda a categoria, alicerçado na qualidade desportiva de toda uma geração de jovens talentos que puseram em evidência o fantástico trabalho realizado na formação.
Há um ano, em declarações transcritas pelo jornal Record, o presidente Luís Filipe Vieira proclamava, no jantar de encerramento da época, a importância da aposta nos mais jovens como um dos pilares estratégicos do crescimento do clube, e dizia mesmo que essa era a única forma de competir com as principais equipas europeias. "A conquista deste título foi também a vitória de um projeto, de uma visão e de um rumo que há uns anos defini como prioritário e como única forma de o Benfica, no futuro, poder competir com as principais equipas das cinco mais fortes Ligas europeias. Já o disse e quero repetir o agradecimento a todos aqueles, coordenadores, treinadores e responsáveis técnicos que ao longo destes anos concretizaram o sonho de criar uma das melhores escolas do mundo de formação de jogadores como a que temos no Seixal. E os resultados estão aí em todo o seu esplendor, bastando ver os vários craques formados connosco, que brilham nos melhores campeonatos e no facto de, neste ano, verificarmos que sete dos nossos campeões vieram da nossa formação".
Ainda há um ano, o líder dos «encarnados» foi ainda mais longe e, em entrevista à Rádio Renascença, criticou mesmo o FC Porto por não aproveitar os valorosos jovens da grande equipa que venceu a Youth League, num conjunto de reportagens que mencionavam o impacto da então apelidada 'Caixa de Campeões', no Seixal, como parte de uma estratégia de abastecimento privilegiado da equipa principal.
Contudo, no futebol, as «luas-de-mel» acabam quando as desilusões começam a aparecer, e aquilo que parecia uma estratégia estruturada e consistente começa a apresentar contornos de «fogo de vista». Face à desilusão da campanha benfiquista na Champions, a contratação de Julian Weigl é uma primeira reação ao crescente incómodo de adeptos que, habituados a olhar para o seu clube, e bem, como um grande clube europeu, pretendem ver replicada em campo a grandeza internacional que desejam ver no seu Benfica. Curiosamente, é neste período que, em sentido inverso, sai do clube Gedson Fernandes, um dos excelentes atletas da formação.
Sem querer voltar a falar, pois já o fiz num artigo anterior, sobre o «cataclismo» que se abateu sobre a equipa a partir de fevereiro, e que teve o seu triste epílogo na derrota frente ao Marítimo, falo agora de toda uma estratégia que parecia tão bem pensada e estruturada mas que, afinal, ruiu como um castelo de cartas.
O que dantes fora apresentado como um plano criterioso e muito bem trabalhado nos corredores da Luz, esvaiu-se na fumaça dos maus resultados desportivos, e deu lugar a um deplorável cenário, em que um homem extremamente competente como Bruno Lage é enviado para a porta de saída transformado em destruidor de um projeto de sucesso que foi ele, e não Luís Filipe Vieira, que ajudou a criar.
E a prova mais viva da ausência absoluta de uma estratégia de desenvolvimento alicerçada na formação, é o veicular dos dois técnicos mais desejados para substituir Bruno Lage - Jorge Jesus e Maurício Pochetinno. Jorge Jesus é competentíssimo, mas anda nisto há tempo suficiente para perceber que, no futebol português, não há projetos a médio prazo sequer e, portanto, ou tem os recursos e jogadores que lhe garantam sucesso imediato (e os jovens demoram muito a trabalhar e aperfeiçoar...), ou não vem, até porque, quando ele está numa estrutura, é ele que manda. Não nos esqueçamos de que foi no tempo de Jorge Jesus que «craques» como Bernardo Silva, João Cancelo ou Gonçalo Guedes passaram sem grande brilhantismo... para depois serem o que são hoje.
Quanto a Pochettino, se é verdade que o Benfica está a tentar convencer o argentino com um projeto europeu, resta perguntar-me se o Seixal continuará a ser parte integrante dessa estratégia. É que quando ouvimos um dirigente de um clube «grande» a falar de projetos europeus, sabemos o que significa essa narrativa - gastar mais dinheiro no plantel para contratar jogadores que garantam rendimento no imediato, e desinvestir dos jovens atletas que teriam de ser trabalhados com mais tempo e paciência, até chegar ao nível pretendido.
E assim se desmonta uma narrativa oca, em que um dirigente se aproveitou do sucesso de uma excelente equipa para falar de um plano que, à mínima oportunidade, foi pelo cano abaixo. Agora venham de lá esses «craques» de milhões, que tapem a progressão dos enormes talentos que continuam a vir do Seixal. Haja quem tenha «olho» e os vá lá buscar, porque para os lados da Luz a política agora parece ser outra...
 
Texto: Gonçalo Novais

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