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Eurico Couto "construímos uma identidade, envolvemos de novo os sócios e a cidade"

Aos 34 anos de idade, Eurico Couto tem já uma vida cheia e intensa à volta do desporto.
Durante vários anos, teve um estatuto muito peculiar no clube paredense, em que era treinador da equipa principal de futebol, e jogador da equipa principal de futsal.
Todavia, nem essa enorme responsabilidade lhe tirou o foco na obtenção de importantes feitos como técnico. Na formação, levou os sub-13 do Paços de Ferreira ao título da 1ª Divisão distrital em 2011/12 e, no ano seguinte, conduziu os juvenis dos «castores» à fase final de apuramento do campeão distrital. Na formação do Paredes, foi «obreiro» da subida dos juniores do clube à 2ª Divisão Nacional, em 2014/15.
Contudo, o destaque desta entrevista é o trabalho desenvolvido na equipa principal do clube. Com Eurico Couto ao leme, o Paredes voltou aos campeonatos nacionais, e está a estabilizar-se na sempre competitiva Série B. Contudo, há a consciência de que o planeamento da próxima época poderá levantar dificuldades de todo inesperadas.
No entanto, o jovem técnico já está habituado a desafios difíceis. Já reergueu o Paredes nos campeonatos distritais, rumo ao Campeonato de Portugal. E agora procura mobilizar um grupo estável, experiente e coeso rumo ao desafio de ser um dos mais competitivos da sua série, na próxima temporada.

Complexo - Com a decisão de cancelamento da presente edição do Campeonato de Portugal, o Paredes termina a meio da tabela, com um oitavo lugar final na Série B. Enquanto treinador, que avaliação faz desta temporada?
Eurico Couto - Fizemos uma época de bom nível. Nos encontros disputados, mostrámos sempre capacidade para sermos competitivos perante todos os adversários, e ficámos muito bem classificados no fim. 
 
Com que objetivos partia o Paredes para a época que concluiu, e de que forma se planificou a construção da equipa para a temporada 2019/20?
Naturalmente o nosso grande objetivo era a manutenção, sem esquecer que queríamos sempre fazer melhor do que no ano anterior. Desde o primeiro dia que foi incutido no grupo que teríamos de fazer mais e melhor do que na época anterior, e até fixámos o objetivo de conquistar 28 pontos na primeira volta, o que representava mais do que ano anterior, no qual conquistámos 25. Parecia um desafio difícil, mas acabou mesmo por ser superado, pois conquistámos 29, e fizemos, no geral, uma boa prestação nessa fase. 
 
Após um início marcado por uma prestação razoável, o Paredes tem uma fase intermédia de grande nível em que, entre 10 de novembro e 5 de janeiro, conquistou cinco vitórias e dois empates em sete jornadas. O que se passou para a equipa atingir esta série francamente positiva de resultados?
Julgo que a nossa prestação desde do início que é muito boa, mas o facto de o nosso inicio de campeonato envolver confrontos contra candidatos, em que conseguimos bons desempenhos e uma boa pontuação, trouxe um nível de confiança ao grupo, que permitiu que os jogadores evoluíssem mais, e se sentissem mais capazes de atingir as metas definidas. Por isso, a competitividade inicial evidenciada pela equipa foi um bom trampolim para uma etapa com melhor prestação pontual.
 
Entre 12 de janeiro e 1 de março, o Paredes entrou numa «série negra» de resultados, marcada por oito jornadas consecutivas sem vitórias. O que se passou?
Todas as equipas têm momentos menos bons durante a época, e num plantel curto isso ainda é mais notório. Nós, treinadores, temos sempre de encontrar soluções para os problemas que nos surgem, contudo não podemos fugir à realidade. Tivemos várias lesões e alguns castigos, que provocaram a diminuição da competitividade interna e, como consequência, o rendimento coletivo da equipa baixou. 
 
O campeonato, entretanto, acabou. O que acha da decisão, por parte da FPF, de cancelar o Campeonato de Portugal?
O mais importante é estarmos sempre disponíveis para colaborar, perceber os motivos da decisão tomada, e valorizar o lado positivo da questão. Estamos a viver um período de extrema dificuldade no que toca a decidir, e nesta altura, nem todos estarão de acordo sobre o desfecho encontrado, seja ele qual for. Do meu ponto de vista, parece-me adequada a medida do cancelamento. Se porventura optassem pela realização de «play-offs», existindo capacidade pra jogarem 8 ou 16 equipas como alguns pretendem, seria obrigatório jogarem todos. 
 
Partindo da suposição de que continuará no comando técnico do Paredes, de que forma está a ser planeada a próxima temporada, e quais as maiores dificuldades a esse planeamento, tendo em conta o contexto económico que se avizinha bastante difícil, pelo menos neste e no próximo ano?
É prematuro falar de qualquer continuidade, mas no Paredes o lema é, todos os anos, fazer muito com pouco. Na próxima época, com ainda menos, porque a situação financeira do país estará mais difícil.
 
Que impacto toda esta situação pode ter nas atividades desportivas desenvolvidas por clubes semi-profissionais ou não-profissionais, como o União de Paredes, e que estratégias podem estes clubes desenvolver no sentido de dar sustentabilidade desportiva e financeira às suas modalidades desportivas?
Temos noção que esta situação levará a uma descida enorme na colaboração das empresas com o clube, e infelizmente não seremos caso único no país. O investimento das empresas no futebol e a sua colaboração nas atividades desportivas poderá baixar ou simplesmente não existir e, nesse sentido, parece-me que o futebol vai sofrer uma alteração drástica do ponto vista financeiro, e muitos clubes não vão aguentar. Assim sendo, os clubes têm agora a responsabilidade e obrigação de apostar na sua formação e entender que será ela a base do futuro. Em muitos casos, o investimento nas equipas terá de ser mais adequado à realidade não-profissional do nosso campeonato, o que nem sempre se verifica, e é muito importante ter maior criatividade e dinamização nas suas atividades e no apelo à envolvência com os clubes para que consigam alimentar financeiramente as suas modalidades. Espero que esta situação permita que o pouco investimento seja maior na reestruturação dos clubes, em especial nas suas infraestruturas e em projetos para que se tornem sustentáveis a longo prazo, no plano desportivo e financeiro.   
 
O Eurico é um caso de alguém que tem permanecido no comando técnico da mesma equipa durante um período de tempo relevante e, no seu caso, a história começou na época 2014/15. Como surgiu a oportunidade de liderar a equipa, e como descreve a experiência de assumir os seniores, nesse tempo em que tinha apenas 29 anos?
O clube estava num momento mau na Divisão de Elite, e ocupava a última posição, e para agravar tudo isto, sentia-se uma perda da ligação do Paredes aos adeptos e à cidade. Na sequência do trabalho que estava a desenvolver como treinador de juniores, que culminaria com a subida ao nacional , o presidente Manuel Cardoso e a sua direção acharam que eu seria o elemento certo para assumir nessa altura a equipa principal, pelo conhecimento do clube e pelas prestações que vinha a demonstrar ao longo do tempo na formação, e eu rapidamente aceitei. É verdade que muitos foram os que me incentivaram a não aceitar porque a situação era de extrema dificuldade e eu nunca tinha tido qualquer experiência como treinador de seniores, mas não tive qualquer receio e aproveitei a oportunidade, que alimentei sempre com trabalho.  
 
O que acha que terá levado a direção do clube a manter a aposta em si para a época seguinte?
Fizemos praticamente um milagre. Tínhamos 19 pontos quando assumi a liderança da equipa, quando faltava uma volta para o fim, mas num cenário muito difícil. Acabámos por concluir o campeonato com 44 pontos, fizemos uma excelente segunda volta, e com a subida dos juniores ao nacional, a direção foi praticamente «obrigada» a propor a minha continuidade, com o agrado de ambas as partes. 
 
Em 2016/17, quase que conquistava o seu primeiro título com a equipa principal, ao chegar à final da Taça Brali, que o Paredes perdeu para o Canelas. Que descrição faz do percurso que a equipa fez, até ficar bem perto de conquistar o troféu?
Foi um percurso muito bom, em que merecíamos o troféu. O Canelas foi mais competente nos penaltis, mas ficou uma enorme tristeza pois tivemos inúmeras situações para vencer o jogo, só que não foi possível. Contudo, essa vivência permitiu uma enorme evolução em todos os jogadores e uma aproximação do clube aos sócios e cidade, e nós fomos os responsáveis por reavivar esse espírito de união. 
 
Em 2017/18 veio, por fim, a grande festa, com o Paredes a sagrar-se campeão distrital e a garantir a subida ao Campeonato de Portugal. Quais os fatores e as circunstâncias que tornaram possível esse grande marco na história futebolística do clube e da região?
É importante que se entenda que ninguém ganha sem perder, e é necessário perder para ganhar. Neste sentido, a perda do ano anterior foi fundamental e a reestruturação financeira do clube em termos de liquidação de dívidas antigas permitiu um pequeno investimento que melhorou a nossa equipa e o trabalho fez o restante. Desde o início estabelecemos metas de subida, e depois o desenrolar do campeonato valorizou tudo o que tínhamos planeado e, mais uma vez, fizemos história.
 
Nas duas épocas que já leva de Campeonato de Portugal, conduziu a equipa a duas classificações finais na zona intermediária da tabela classificativa. De que forma é que, ao olharmos para estas prestações, podemos dizer que o Paredes tem condições para se estabilizar durante um longo período de tempo nas provas nacionais?
Nós conseguimos algo que há muito não se alcançava, que era subir e manter. Para nos lembrarmos da última vez em que o Paredes registou dois anos consecutivos de 2ª Divisão B ou atual Campeonato de Portugal temos de recuar à época de 2004/2005. Com a ambição de fazer sempre mais e melhor, alcançámos objetivos e pontuações históricas e de grande importância com investimentos muito baixos e uma valorização da nossa formação como não há igual em Portugal, o que nos enche de orgulho e valoriza o trabalho de todos jogadores, direção e equipa técnica. 
 
Experienciou, enquanto treinador, a Divisão de Elite e o Campeonato de Portugal. Que diferenças de competitividade existem entre as duas competições?
Existem diferenças para melhor a todos os níveis, em termos de organização, equipas técnicas, jogadores, equipas de arbitragem de grande valor, e um maior nível competitivo. O investimento de algumas equipas chega a ser inacreditável para o campeonato amador e competir com esses entusiasma, mas não deixa de ser um milagre. 
 
Um dos aspetos do plantel do Paredes é o facto de ser constituído por vários jogadores com muitos anos de clube, com Joaquim Sousa, Tó Jó, Nuno Moreira, Madureira, Ismael, Jorginho ou Pedro Duarte a serem alguns dos exemplos. Que importância têm jogadores com tantos anos de balneário, nesta afirmação e consolidação do Paredes nos palcos do futebol nacional?
É uma questão pertinente. No panorama mundial manter jogadores e treinador mais que dois ou três anos sem qualquer revolução leva de imediato ao insucesso, mas neste clube pautamo-nos por valores e princípios que não beliscam o rendimento, e mesmo sabendo que aqui ou ali os naturais problemas de grupo ligados à longevidade do grupo surgem, sabemos sempre agir no que é mais importante, que é o foco no rendimento e nos objetivos do clube. Neste contexto, estes jogadores com imenso tempo de clube são responsáveis por transmitir a mentalidade do clube, e os princípios e valores que eles mesmo ajudaram a construir. Mas o estatuto que alcançaram é avaliado diariamente pelo rendimento que têm. 
 
Enquanto treinador que também passou pela formação do clube, que importância tem dado às camadas jovens na construção dos vários plantéis principais da equipa, e que papel vai dar à mesma formação nos próximos tempos e plantéis?
A formação é a base do clube, e é dessa forma que olho para o futebol no futuro, ainda para mais agora. É necessário construir um plano estratégico que permita alimentar a equipa sénior e entender que só os que têm rendimento e qualidade para pertencer ao plantel irão conseguir a sua oportunidade. Não apostamos por obrigação nem para preencher requisitos. Se merecerem e demonstrarem qualidade para tal, terão a possibilidade de conquistar a oportunidade. 
 
Além de treinador da equipa principal, o Eurico não só foi jogador da equipa principal, como se distinguiu como atleta da equipa de futsal do Paredes, ao longo de oito épocas consecutivas. Fale-nos um pouco dessa paixão pelo futsal.
Foram oito épocas excelentes. O futsal foi desde cedo uma paixão enorme, e no Paredes conseguimos desempenhos muito bons a nível coletivo e individual fantástico. Mas o mais importante é ter o privilégio de fazer o que mais gosto, ser uma referência e competir pelo meu clube com uma grande família que é o futsal.
 
Como é que o Eurico conseguiu, durante várias épocas, gerir a sua função de treinador principal da equipa de futebol, com a de jogador da equipa de futsal?
Há um velho ditado que diz «quem corre por gosto não cansa». Foram várias as situações que fui jogar sem almoçar ou a equipar no carro, a chegar com o jogo já a decorrer e mesmo assim conseguir prestações fantásticas, sempre com uma grande paixão e alegria de jogar, e uma vontade enorme de estar dentro daquele grupo de trabalho. 
 
 
Enquanto atleta de futsal, viveu momentos de grande glória, com a subida à 2ª Divisão Nacional em 2011/12, mas também acontecimentos mais tristes, como a descida aos distritais na época passada. Sabendo-se que a época de regresso à Divisão de Elite estava a ser marcada por algumas dificuldades, o que se poderá esperar do futuro do Paredes na modalidade, em que outrora foi um dos representantes da região nos campeonatos nacionais?
É normal que o futsal esteja num momento menos bom, existem poucos praticantes, a formação ainda não está a um bom nível, e a nossa geração que marcou muito este União infelizmente terminou. As mudanças demoram o seu tempo, mas acredito que possam daqui a alguns bons anos voltar à 2ª Divisão Nacional. 
 
Ao fim de seis épocas no comando do Paredes, que balanço genérico faz do seu trabalho à frente desta equipa?
São cinco épocas concluídas a 21 de janeiro de 2020, em que fizemos um excelente trabalho, construímos uma identidade, envolvemos de novo os sócios e a cidade no clube e conseguimos não só a subida como a estabilidade no Campeonato de Portugal. Aliado a isso, fizemos uma aposta na formação enorme, e são vários os jogadores que ao longo destes anos se têm valorizado e são provenientes da mesma, como os casos de Ema, Padeiro, Dani, Daniel Barros, Ferraz, Henrique, David, Alex ou Madureira. 
 
Tendo em conta esta estabilidade que, na equipa principal, se vai verificando no plantel e equipa técnica, o que se pode esperar do Paredes nos próximos tempos, no que diz respeito a objetivos a definir, e desafios a conquistar?
O Paredes tem como objetivo o regresso às Laranjeiras, possibilidade que poderá levar o clube a outros patamares. No entanto, a nossa situação atual, devido à pandemia, deverá colocar esse desenvolvimento um pouco mais lento. Neste momento, o importante para o clube é voltar ao Campeonato de Portugal e conseguir a manutenção num ano que se advinha de extrema dificuldade financeira e estrutural, até porque termina o mandato desta direção e, com isso, de todos nós.
 
Enquanto treinador que já tem resultados para mostrar, que novos desafios e objetivos seriam para si aliciantes, perspetivando os próximos tempos como técnico?
Gostaria de ter a oportunidade de lutar por outro tipo de objetivos neste campeonato, uma equipa que queira lutar para subir ou então uma divisão superior. É por isso que trabalhamos diariamente, e é com esse intuito que trabalhamos.
 
Entrevistado: Eurico Couto
Entrevistador: Gonçalo Novais

 

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Data de publicação: 2020-04-17

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