Simão Fernandes “Estou pronto para jogar nas Ligas Profissionais"
Tem 21 anos de idade, mas já é um defesa-central com provas dadas no futebol de formação e no Campeonato de Portugal.
Formado em clubes de referência como o Anadia e o Tondela, onde teve a oportunidade de conviver de perto com referências como Ricardo Costa e o internacional venezuelano Yordán Osorio (hoje no Zenit, emprestado pelo FC Porto), Simão Fernandes é detentor de um trajeto de sucesso nas camadas jovens, que culminou com o título da 2ª Divisão Nacional de juniores pelos tondelenses.
Já sénior, está a afirmar-se categoricamente no Campeonato de Portugal, e a chegada ao futebol profissional, mais do que uma ambição confessada pelo próprio, pode ser uma questão de pouco tempo.
Depois de uma época histórica no sensacional Castro Daire, e de ser reconhecido como um dos jovens centrais mais promissores do Campeonato de Portugal, Simão Fernandes falou ao Complexo.pt do seu percurso desportivo, das conquistas e momentos já vividos, e dos objetivos e perspetivas de futuro, que podem passar pelas ligas profissionais como reflexo da evolução natural da sua competência.

COMPLEXO | É dada como concluída, antes de tempo, uma época em que estava a ser um dos jovens jogadores em maior destaque no Campeonato de Portugal, e fazia parte de uma equipa que «brilhava» na Série B. Que balanço podemos fazer da sua época a título individual, bem como deste Castro Daire que foi notícia por um campeonato memorável?
Simão Fernandes | Apesar de, infelizmente, esta época ter acabado mais cedo, o balanço é muito positivo. A nível pessoal senti que evoluí muito devido aos minutos que tive, mas, principalmente, ao trabalho feito nos treinos e feedback dos meus colegas. Coletivamente, um início de campeonato atribulado com alguma infelicidade e ineficácia da nossa parte, mas continuámos a acreditar no processo e os resultados acabaram por aparecer naturalmente.
Com 21 anos acabados de fazer em abril, como se descreve o Simão enquanto jogador, e quais as explicações que podem ser dadas à sua inclusão como um dos melhores sub-21 do Campeonato de Portugal esta época?
Sou um jogador forte fisicamente, inteligente e bastante agressivo nos duelos. Acho que talvez seja a melhor caracterização possível.
Foi um jogador muito importante numa equipa que já não perdia qualquer jogo oficial desde setembro do ano passado. Como explicar esta grande performance do Castro Daire, e em que medida a equipa o ajudou a evoluir enquanto defesa-central?
Este sucesso deve-se fundamentalmente ao espírito que se vivia fora das quatro linhas, um grupo incrível onde reiterava a boa disposição e a união. Isto passava para dentro de campo e fazia-nos mais fortes a cada momento do jogo. Como é óbvio, com um espírito destes, o nosso trabalho individual torna se mais fácil e o crescimento é feito mais rapidamente e foi isso que aconteceu.
No plantel do Castro Daire, jogou e partilhou o balneário com atletas experientes no futebol profissional, como os casos do Tomé Mendes, o Nuno Binaia ou o bem conhecido Luís Barry. Como é que o convívio com estes atletas com tanta experiência competitiva contribui para a evolução de um jovem futebolista como o Simão?
Quando tens colegas que para além de mais experientes te tentam ajudar no teu crescimento, tudo fica mais acessível. Para mim, foi um orgulho enorme poder ouvir atentamente todos os conselhos que eles me quiseram transmitir.
Como avalia o trabalho que desenvolveu com o treinador Vasco Almeida ao longo desta época, ele que também está com a projeção em alta, depois desta campanha?
Um trabalho enorme e onde grande parte do mérito deste sucesso é também dele, pois para além de ter conseguido tirar o melhor de cada jogador, conseguiu também preparar uma equipa que taticamente foi quase perfeita.
Para o Simão, o Castro Daire foi a sua segunda experiência no Campeonato de Portugal, após ter representado anteriormente o Gafanha, na sua estreia como sénior. De que forma avalia a forma como se adaptou às exigências competitivas do Campeonato de Portugal, e em que aspetos teve que evoluir para se consolidar como um elemento importante tanto no Gafanha como no Castro Daire?
As maiores dificuldades para mim foram a velocidade de raciocínio e as melhores capacidades dos meus adversários, individual e coletivamente, relativamente à formação.

Nas duas últimas épocas competiu na Série B, considerada a série mais competitiva da competição. Em que medida o nível competitivo que se sente na Série B contribui para a evolução dos futebolistas que nela competem e, eventualmente, os ajuda a dar um eventual «salto» para outros patamares?
Está série é realmente a mais competitiva, não tenho dúvidas disso. Mas quanto maior é a dificuldade maior é o crescimento e considero-me uma prova viva disso! Neste momento, considero que estou pronto para as ligas profissionais. Digo isto porque já tive a possibilidade de treinar regularmente com uma equipa de primeira liga e acho que neste momento o meu nível está perto daquilo que via nesses mesmos treinos por parte dos meus colegas.
Falando do seu percurso formativo, começou a sua aventura no futebol pelas escolas do Anadia em 2007/08. O que o levou, enquanto criança, a este seu primeiro clube?
Um dos meus ídolos, o meu irmão neste caso, já tinha representado o Anadia e isso também me atraiu ao tentar seguir as pisadas dele.
Desde que jogou nos Benjamins e nos Infantis, esteve sempre em equipas capazes de realizar excelentes épocas e resultados e, em 2011/12, até se sagrou campeão distrital de Infantis. Que importância tiveram na sua formação estes primeiros anos inseridos em equipas competitivas a nível distrital?
Estar em grupos vencedores desde cedo torna as coisas mais fáceis e a formação torna-se mais exigente quando estamos em grupos com altos objetivos.
Ao serviço do Anadia, voltaria a ser campeão distrital nos Iniciados em 2012/13, e até aos Juniores jogaria sempre nos campeonatos nacionais, em todos os escalões. Em que medida toda essa experiência competitiva o ajudou a singrar no Campeonato de Portugal?
Como disse anteriormente, os grupos eram vencedores e queríamos sempre mais. Mas onde acho que me tornei pronto para este campeonato foi no primeiro ano de juniores onde, na segunda metade da época, fazia parte e só treinava com o plantel principal, apesar de vir jogar aos juniores. Isso fez me ter outra rotatividade em relação aos outros juniores, portanto aliar treino com uma das melhores equipas de CNS com campeonatos supercompetitivos torna o processo de adaptação mais ágil.
De que forma o Anadia o marcou enquanto desportista, e quais as pessoas e os momentos que mais influência tiveram no seu percurso?
Todos foram importantes, mas trago deste clube pessoas que até hoje são mesmo muito importantes. Não vou nomear nomes senão a lista seria muito extensa!
O que o levou a rumar ao Tondela, no seu segundo ano de júnior?
O projeto em si era mais ambicioso, pois o objetivo era subir de divisão o que, aliado à possibilidade de poder treinar numa equipa de primeira liga, ajudou à minha decisão.
Que recordações guarda dessa célebre temporada de 2017/18, em que celebra com o Tondela o título de campeão da 2ª Divisão Nacional de juniores?
Foi um ano repleto de boas memórias, mas a melhor de todas foi o sentimento depois do apito final em Santa Maria da Feira, que nos tornava campeões nacionais.
O que podemos esperar que essa geração de campeões do Tondela possa trazer de bom ao futebol nacional e, embora seja sempre um exercício ingrato, que atletas dessa equipa mais podem «dar cartas» no futebol profissional?
Pode-se esperar muito talento e trabalho, considero que cinco ou seis jogadores podem dar muitas cartas como profissionais.
É tempo de regressar a si, e às suas perspetivas de futuro, para lhe perguntar, desde já, em que medida o cancelamento das competições pode ter atrasado a sua evolução desportiva, nomeadamente numa altura em que necessita de competir e treinar, para continuar a desenvolver competências desportivas?
Não penso dessa maneira, julgo que neste momento é mais importante pensar na saúde pública do que no meu desenvolvimento pessoal.
Depois de duas épocas de bom nível no Campeonato de Portugal, até que ponto está preparado, caso a oportunidade surja, de atingir patamares de futebol profissional?
Como disse anteriormente, olhar neste momento para as minhas capacidades e para as dos meus colegas da equipa principal do Tondela na altura, faz-me pensar que se a possibilidade surgir vou agarrá-la com muito trabalho como tem sido meu apanágio até agora
Tendo em conta o seu percurso até agora, e o nível que já atingiu, que objetivos gostaria de atingir para a sua carreira desportiva?
O meu maior objetivo é tornar-me profissional, é por isso que luto desde que sou miúdo. O que vier depois será feito do meu trabalho e da minha dedicação, mas não escondo que gostaria de jogar uma competição europeia ou ter uma experiência no estrangeiro daqui a uns anos.

Entrevistador: Gonçalo Novais
Entrevistado: Simão Fernandes
Fotos: Cedidas por Simão Fernandes
Data de publicação: 2020-05-12
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