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Tiago Moreira "Estamos a preparar a época com muita seriedade, responsabilidade e tempo"

Com décadas de ligação ao futebol tanto como jogador como treinador, Tiago Moreira já prepara a nova temporada no Caíde Rei, que competirá na Divisão de Honra da AF Porto, após uma época difícil.
Não é por falta de experiência, conhecimento e competência que o barco não chegará a bom porto. Enquanto jogador, Tiago Moreira foi profissional por mais de uma década, e representou emblemas como o Penafiel, Boavista, Gil Vicente e Famalicão, contando com participações na 1ª Divisão Nacional.
Como treinador, fez parte de anos muito bons na formação do Penafiel, com títulos à mistura, e celebrou duas subidas de divisão.
Vale a pena conhecer o percurso deste homem que viveu, na primeira pessoa e em diferentes funções, o futebol português em todas as suas realidades e vicissitudes, desde a elite até aos campeonatos distritais.
 
 
COMPLEXO| Mister, acaba de ser anunciada, por parte do Caíde Rei, a sua renovação ao serviço do clube para 2020/21. Depois de uma temporada difícil, em que a equipa terminou na 14ª posição da Série 2 da Divisão de Honra da AF Porto, como está a ser preparada a próxima época, e que mudanças podem esperar-se no plantel?
Tiago Moreira | Sim, foi uma época muito difícil. Após a paragem do campeonato pelo motivo do covid19, fui convidado pela direção para dar continuidade ao projeto do clube. Esta direção mostrou ser muito responsável, séria, humilde e muito capaz, dando-me toda a confiança para eu trabalhar. Nos momentos menos bons esteve sempre do meu lado e dos jogadores, o que me leva a desde já agradecer ao clube e à direção por acreditar no meu trabalho. Todos sabíamos que o planeamento da época não tinha sido o melhor. A época foi muito difícil, houve várias situações, como o planeamento da mesma, o seu início tardio, um plantel jovem e curto, as lesões e as poucas soluções em alguns sectores.
Após a minha chegada tentámos, dentro do orçamento do clube, reforçar alguns setores da equipa e não tínhamos dúvidas que, após termos saído da zona de descida, íamos terminar muito bem a época porque estávamos a praticar um bom futebol, o grupo estava forte, os resultados estavam a aparecer, estávamos convictos que íamos terminar mais acima na tabela classificativa.
Estamos a preparar a época com muita seriedade, responsabilidade e tempo, e temos de trabalhar com muito rigor e critério, porque não podemos falhar. Dentro do orçamento do clube, já renovámos com os jogadores que transitam da época passada, que se enquadram no nosso modelo de jogo e que pretendemos para a equipa. Estamos a contratar jogadores e homens, que venham com o compromisso de fazer uma excelente época e com uma vontade enorme de vencer, e que percebam que o clube tem objetivos bem definidos.
 
Qual o balanço que faz da época que agora terminou, e quais os aspetos mais positivos e negativos que marcaram a prestação da equipa nesta temporada?
Dentro dos aspetos positivos, sem dúvida conseguir tirar a equipa da posição em que se encontrava; o trabalho da direção e dos meus colegas da equipa técnica, essencialmente ao permitir aos jogadores alguma experiência e valorizá-los através da participação na competição; fazer com que os jogadores acreditassem sempre que era possível; ver o crescimento de jogo e qualidade da equipa. Mais importante que os aspetos táticos ou técnicos, foi o trabalho psicológico que desenvolvemos em conjunto. Aspetos negativos, sem sombra de dúvidas, as lesões, o plantel curto, o tardio planeamento da época, a necessidade de trabalhar sobre resultados negativos e as poucas soluções em alguns setores.
 
Até que ponto a classificação final da equipa condiz com a qualidade que existia no plantel, e quais os pontos fortes que o Caíde Rei evidenciou, que podem ser aproveitados para a próxima temporada?
A classificação não condizia com a qualidade de jogo que praticávamos, pois existia qualidade no plantel. Os pontos fortes foram o facto de o grupo acreditar no nosso trabalho, e perceber que a fase menos boa já tinha passado, já que estávamos a crescer muito. A qualidade de jogo era evidente, e temos jovens com muita qualidade e com uma vontade enorme de vencer. Vamos ter mais tempo de explorar as capacidades de cada um na próxima época.
 
Um dos pontos que sobressai quando olhamos para a equipa do Caíde Rei é a presença de muitos jogadores jovens no plantel. Qual a importância que a aposta nos jovens tem no seu trabalho como treinador do clube, e que influência poderão eles ter no sucesso desportivo que o Caíde Rei tentará atingir na próxima temporada?
Sim, era das equipas mais jovens deste campeonato. Trabalhei na formação 10 anos, treinei todos os escalões de formação, formei muitos atletas, e a minha preocupação é formar primeiro, homens, e depois, jogadores. Sempre com os objetivos bem definidos de formar e jogar bem. Este ano estavam no Caíde seis atletas que eram da equipa B do Penafiel, e existiam outros miúdos no plantel que se valorizaram muito esta época. Não tenho dúvidas que estão muito mais preparados e que irão fazer uma excelente temporada no Caíde Rei.
 
Falando de futebol de formação, no seu percurso como técnico destaca-se uma passagem longa pelo Penafiel, onde trabalhou de perto com os juniores durante várias temporadas. Quais os momentos mais importantes que viveu, no plano desportivo, durante esses anos ao serviço do clube?
O Penafiel marcou-me muito quer como jogador profissional, quer como treinador, aprendi muito e só tenho de agradecer ao clube. Nem sempre foi fácil. No entanto, com um trabalho determinado, com objetivos previamente bem estabelecidos, com rigor e dedicação, atingi muito dos objetivos a que me tinha proposto a nível de clube/equipa. Todos nós temos consciência que temos uma gigante influência sobre os jovens e devemos tirar partido disso, para eles perceberem que futebol é algo de maravilhoso. Foram anos fantásticos, marcados por conquistas de títulos e participações em campeonatos nacionais nos escalões de juniores e juvenis. Ao longo destes anos tentei sempre estar atualizado e frequentei várias ações de formação. Tirei os cursos de treinador, o Nível I na Associação Futebol Porto, o Nível II na Associação Futebol Vila Real, e o Nível III em Rio Maior. O futebol está em permanente evolução, tento acompanhar tudo e continuarei a fazer formação sempre que existirem oportunidades. Estamos sempre a aprender.
 
A nível técnico, teve a oportunidade de trabalhar de perto com treinadores de grande nível, como o atual treinador da equipa principal, Miguel Leal, que levou os juniores ao título de campeões nacionais da 2ª Divisão, em 2011/12. Em que medida o trabalho que desenvolveu no Penafiel ajudou-o a evoluir enquanto treinador?
Sim, acompanhava sempre a equipa sénior e, ao longo destes anos, aprendi muito com todos os treinadores que passaram pelo Penafiel. Na formação tínhamos bons coordenadores, que faziam um excelente trabalho na formação a nível técnico, tático e psicológico. Reuníamos todas as semanas, falávamos muito uns com os outros, tínhamos colegas nas equipas técnicas com muita qualidade e vontade de aprender, tínhamos um conhecimento profundo de cada escalão e atletas. Era a minha segunda família, eu tinha fins-de-semana que via todos os jogos da formação. Só tive pena de terminarem com a equipa B, senti que ficou muito por fazer, na transição desde o futebol de formação e a equipa sénior. O Miguel é um excelente treinador e uma referência para todos os jovens treinadores.
 
Fora do Penafiel, o mister viveu épocas de grande nível, sendo de destacar o segundo lugar na Honra ao serviço do Alpendorada, em 2009/10, ou a subida de divisão pelo Aparecida, numa campanha em que participou na época de 2014/15. Qual o papel que desempenhou nestas duas excelentes campanhas, e que significado ambas têm para si?
Épocas muito positivas. Quando fui convidado para treinar o Aparecida, o clube estava numa situação muito complicada. Pediram-me a manutenção e acabámos por subir à Divisão de Honra da AF Porto. Ano fantástico, tudo muito bem planeado e com uma estrutura muito forte e uma massa adepta que gosta muito do clube. Saí do Aparecida para o Alpendorada com um plantel muito curto, mas muito unido e com qualidade, e conseguimos a subida à 3ª Divisão Nacional. Estou muito orgulhoso de ter trabalhado com duas equipas técnicas com muita qualidade e ter escolhido os melhores jogadores, em dois grandes clubes com história.
 
Entre 2015/16 e 2017/18, representou três clubes diferentes, Alpendorada, Aparecida e Sobrado, num período mais instável do seu percurso. Como descreve as passagens por estes clubes, e quais os motivos para não lhe ser dada a oportunidade de desenvolver um trabalho a mais longo prazo num deles?
No Sobrado, fizemos um excelente campeonato na Elite, num clube que tinha como compromisso dar continuidade ao projeto com a atual direção. Entretanto, entrou-se em processo de eleições e a direção acabou por não ficar e eu também saí. É um clube de gente fantástica.
 
 
O regresso ao Penafiel para treinar a equipa B coincidiu com a época do fim deste projeto do clube, dado que na época seguinte o Penafiel B não voltaria à competição. Que balanço faz dessa passagem, que também foi um regresso, e que opinião tem sobre a decisão de terminar a equipa B? Até que ponto existiriam condições para a continuidade do projeto?
Para as equipas B funcionarem, acredito que é necessário que “os clubes tenham uma política clara do que a formação representa, já que «as equipas B podem resolver alguns problemas que a formação não resolveu”. Um sonho que não acabei de realizar, no regresso ao clube que me diz muito. A equipa estava na linha de descida e com muito trabalho dedicação, com sete miúdos ainda juniores e os restantes, todos de primeiro ano de sénior, conseguimos a manutenção, foi fantástico! Senti-me realizado, praticávamos um futebol apaixonado em que todos gostavam de ter bola, privilegiávamos muito o jogo, tínhamos quatro treinos por semana, trabalhávamos bem e muito organizados. Naturalmente saí, com a sensação que ficou algo por acabar… Pelo número de atletas que a formação tem, a equipa tinha espaço para fazer um excelente trabalho na transição formação-sénior.
 
As suas passagens pelo Penafiel também remontam aos seus tempos de jogador, em que representou o clube por duas épocas na 2ª Divisão de Honra, no futebol profissional, com duas temporadas coletivamente muito boas. Quando olha para a sua carreira de futebolista, qual a importância particular que teve para si essa sua passagem pelo Penafiel?
Fui 16 anos profissional de futebol, e quando vinha jogar ao 25 de Abril por outros clubes, sentia sempre algo diferente, pensava sempre porque não jogo aqui! Tinha aqui a minha família, os meus amigos. O meu falecido pai jogou no Sport Club Penafiel, a minha maior alegria era representar o Penafiel, e quando a oportunidade surgiu, foram dois anos de ouro para mim. Jogava com uma alegria enorme, sentia o apoio dos penafidelenses que gostavam de mim por ser da terra. Os noventa minutos passavam rápido, sentia-me em casa.
 
Nessas duas épocas, 1995/96 e 1996/97, que jogadores e técnicos mais o marcaram no seu percurso, e porquê?
Treinadores como José Carlos e José Alberto Torres, e jogadores como Elias, Lázaro, Cerqueira, José Forbes, Pedro Emanuel, Mário Augusto, Moura, João Viva, Zé Nando, entre outros excelentes jogadores e amigos.
 
Quando ingressou nos seniores, fez parte do plantel do Boavista em 1984/85, onde trabalhou com técnicos da craveira de João Alves e Mário Wilson. Como descreve essa temporada em que teve a possibilidade de conviver de forma tão próxima com o Boavista, e quais os ensinamentos que retirou desse trabalho?
No ano 83/84 saí do Cête, com 16 anos, para ir jogar no campeonato nacional de juniores pelo Boavista. No ano seguinte assinei contrato profissional de três anos com o clube, onde encontrei como treinador o capitão Mário Wilson, com vários títulos pelo Benfica. Eu era um jogador de rua, sem regras, e aprendi muito, sobretudo ao nível da organização defensiva e ofensiva, posicionamento, técnica, tática. Basicamente aprendi como fazer parte de uma equipa profissional de futebol.
Com o João Alves tínhamos muito mais liberdade, era um treinador que privilegiava muito a posse de bola, qualidade de jogo, muita liberdade com responsabilidade, o verdadeiro luvas pretas.
 
Quando se analisam as várias equipas que representou, percebe-se que teve a oportunidade de conviver muito de perto com vários jogadores que adquiriram um estatuto de figuras do futebol nacional, além de muitos outros ex-companheiros seguramente talentosos com quem privou. De entre esses, quais foram os atletas que mais o marcaram pelo talento que tinham, e porquê?
João Alves, foi uma referência para muitos miúdos na altura sem dúvida. Partilhei o balneário com ele que, pelo seu talento, privilegiava a posse, qualidade de passe e finalização. Começou num clube modesto, o Albergaria-a-Velha, com passagens pela Académica, Benfica, Paris Saint-Germain, Salamanca e Boavista.As "luvas pretas" constituíam uma "herança" do avô, sem dúvida uma referência na altura.
 
Fez grande parte da sua carreira na segunda e terceira divisões nacionais, nas décadas de 80 e 90. Que impacto teve essa experiência competitiva na sua identidade, enquanto treinador?
Aprendi muitas coisas boas, liderança, honestidade, frontalidade, respeito, compromisso. Também aprendi algumas que hoje não se devem fazer. Mas no global houve sempre algo de positivo que todos os treinadores me deixaram. Mesmo nesses campeonatos já apanhávamos bons treinadores, cada um com a sua identidade.
 
Após ter vivido uma carreira enriquecedora, em que trabalhou com importantes figuras do futebol nacional, é natural que seja hoje um treinador com muito para transmitir aos seus atletas. Se lhe perguntasse qual a sua identidade enquanto técnico, e quais as ideias de jogo que gosta de transmitir às suas equipas?
Na minha metodologia de jogo/treino, considero fundamental que a equipa ganhe uma identidade de jogo, por isso treino mais do que um sistema tático.
Quem me segue atentamente pelos clubes que passo e quem me conhece, sabe que defendo muito o sistema de jogo 4-3-3. Quem treina três treinos por semana, não tem muito tempo para treinar, mas tenho como variantes mais dois sistemas, o 4-4-2 e o 3-5-2. Na minha opinião, entendo que os meus jogadores devem treinar bem e ter rotinas bem definidas. Privilegio a polivalência, onde todos sabem o que fazer com e sem bola, os espaços que devem ocupar. Gosto que os meus jogadores saibam claramente o que vai na minha cabeça. Respeito muito os meus jogadores e sinto da parte deles o mesmo respeito. Sou um defensor de trabalhar/focar-me bem na minha equipa, e trabalhar bem as bolas paradas ofensivas/defensivas. Na minha opinião, ao treinar e jogar bem, estamos sempre mais próximos das vitórias.
 
Quando olha em retrospetiva para todo o seu percurso, quais os momentos e etapas da sua carreira em que mais sentiu que fez um trabalho em que as suas ideias e competências se refletiram claramente no trabalho que estava a fazer?
Primeiro os jogadores. Tive e tenho tido grupos fantásticos que gostam de aprender e evoluir. Tive vários momentos, os da formação, em que sentíamos que os miúdos assimilavam e tentavam executar tudo o que nós lhes ensinávamos, num curto espaço de tempo. Nestes últimos quatro anos, com equipas seniores, trabalhei com projetos diferentes em que tinha de me adaptar a cada um deles. Em clubes como o Aparecida e o Alpendorada, celebrei subidas de divisão, mas os dois últimos anos, em que assegurámos a manutenção tanto do Penafiel B como do Caíde Rei na Divisão de Honra da AF Porto, sinto-os quase como uma subida de divisão. Fico muito orgulhoso por ter passado, sempre em conjunto com as minhas equipas técnicas, a minha ideia de jogo para cada projeto.
 
Depois de uma longa experiência enquanto homem do futebol, quais os objetivos e conquistas que gostaria de alcançar na sua carreira de técnico?
Procuro estar sempre preparado para aprender cada vez mais. O conhecimento e as ambições não terminam, vamos estar sempre incompletos. É uma utopia pensar que qualquer treinador das melhores equipas do mundo está completo, há sempre tanta coisa para aprender. Sinto-me preparado, naquilo que são as funções de treinador, mas sei que a evolução é possível e necessária. Neste momento os meus objetivos e conquistas passam por fazer um excelente campeonato na próxima época no Caíde de Rei. Considero fundamental que a equipa ganhe uma identidade de jogo, e prometo que teremos um grupo que vai lutar pelos três pontos em todos os jogos do campeonato. Agora estou focado neste projeto, mas, naturalmente, não há nenhum treinador que não ambicione treinar sempre num campeonato superior.
Um agradecimento especial ao Gonçalo Novais por me dar a oportunidade de partilhar as minhas ideias e ao Complexo Desportivo!
 

Entrevistador: Gonçalo Novais 

Entrevistado: 

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Data de publicação: 2020-05-17

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Comentários

    • Thounny

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