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"um campeonato com 20 equipas daria mais verdade desportiva."

O técnico Carlos Esteves está na liderança da equipa de Futsal da União Sport Clube Paredes pela segunda época consecutiva, em que irá competir na Divisão Elite AF Porto. O técnico de 41 anos, natural de Bragança que agora reside em Lousada, irá procurar voltar a colocar a equipa paredense na luta pelo acesso aos campeonatos nacionais. Treinador de Nível II, com uma ideia de jogo muito positiva. Jogou por vários anos futsal sendo uma das referências da USC Paredes nos áureos tempos da 2ª e 3ª Divisão Nacional. Depois de atleta passou para a equipa técnica tendo na última época assumido o comando principal. 
Entrevistador: Luís Leal (Complexo Desportivo)
Entrevistado: Carlos Esteves
 
Complexo – Já estás há alguns anos no USC Paredes, mas não és natural da região. Como surge o USC Paredes na tua carreira desportiva enquanto atleta e agora como treinador?
Carlos Esteves: A grande paixão pelo futsal surgiu já em idade de sénior. Na formação sempre pratiquei futebol de 11 e apenas por uma época pude experimentar esta modalidade (juvenil) em simultâneo. No meu segundo ano de sénior e fruto dos torneios que se organizavam na cidade surgiu a oportunidade de jogar nos Pioneiros de Bragança e foi aqui que  tudo começou! Após a minha formação académica fui lecionar para os Açores e no ano seguinte para a Madeira. Aqui, posso dizer com muito orgulho que tive o prazer de impulsionar o futsal na região. Participei no 1.º campeonato federado (São Roque do Faial) e no ano seguinte joguei no C.D. Nacional, pela primeira vez no campeonato Nacional. Entretanto, em 2006 vim morar para Famalicão e joguei no ARCA. Dois anos depois vim morar para Lousada e a Casa do Benfica de Paredes foi meu destino. 
Na época 2009/10 inicio o meu trajeto no USC Paredes, extinta 3.ª divisão. Seguiram-se sete épocas nos nacionais (3ª e 2ª divisão) como jogador, onde tive o privilégio de partilhar balneário com muitos colegas. Destaco um grupo de jogadores que se manteve no tempo (Camilo, Sérgio, Manel, Joel, Eurico, Roberto...) e no projeto liderado pelo senhor Carlos Nogueira. Não posso perder a oportunidade e agradecer-lhe todo o esforço, a paixão e o entusiasmo com que sempre abraçou a secção de Futsal, e desejar-lhe o maior sucesso profissional e pessoal. Nestes anos fomos enquadrando alguns jogadores mais jovens e hoje posso afirmá-lo são um pouco de mim, de nós. A todos eles os maiores sucessos.
Para lá de todo o sucesso desportivo alcançado, aquilo que fundamentalmente destaco foi a amizade e relação de proximidade criado entre um grupo de pessoas excecional, como os quais mantenho um relação muito próxima.
A minha última época como jogador foi em 2015/16, mas a transição para a equipa técnica já se vinha a fazer de forma progressiva. Nessa altura o treinador era o Paulo Sousa e as duas épocas seguinte foram como treinador-adjunto. “Abraço mister e obrigado pela oportunidade!”. Entretanto, em junho de 2019 terminei o curso de Grau II – UEFA B.
Até que o final da época 2018/2019 coincide com o fim do projeto e a equipa a descer de divisão. O clube teve de reestruturar a secção e conseguiu que esta não terminasse. Devo confessar que nessa altura e com tantos anos seguidos de competição, a minha decisão era de parar e recuperar energias. Mas as pessoas do clube, na pessoa do presidente (Pedro Silva) e diretores (Miguel Couto e António Moreira), e sobretudo algumas pessoas que permaneceram no grupo, em especial o meu amigo Camilo Silva, adiaram a paragem e tive de ganhar forças e retomar rapidamente a atividade, a uma semana de começar o campeonato. A época 2019/20 foi de loucos! Tinham saído alguns jogadores muito  influentes e  ficado outros, com a inclusão de mais 4/5 elementos que vinham dos juniores e outros que retomavam a prática da modalidade. Estava ciente que era um enorme desafio para mim e para todos os que me rodeavam, quer pelo desconhecimento do nível de competição quer pela falta de experiência em alguns dos jogadores. Com o decorrer dos treinos e dos jogos, a adaptação ao método, aos princípios e à própria competição foram uma constante. Todos começamos a perceber onde estávamos e para onde caminhávamos. Apesar de estarmos na linha de descida quando o campeonato foi interrompido os resultados começam a ser mais positivos (um empate e três vitorias nos últimos jogos) e estávamos convencidos que iríamos chegar a bom porto no final da época.
 
A USC Paredes prepara mais uma época, como foi o regresso aos treinos? Quais as maiores dificuldades?
A retoma da atividade desportiva foi necessariamente diferente e adaptada à situação social com a pandemia do COVID-19. Iniciamos a pré-época a 9 de setembro, com treinos integrais no nosso pavilhão (EB2,3 Paredes), cumprindo as regras de higiene e segurança previstas no Plano de Contingência. Fizemos apenas 2 jogos/treino, pois tivemos alguma dificuldade e alguns contratempos na concretização do treino com outras equipas, devido às limitações que consideramos essenciais para proteger os nosso jogadores. 
 
O que esperas da nova temporada? Quais os objetivos da USC Paredes para a próxima época?
Espero uma época difícil, competitiva e desafiadora a todos os níveis. Os objetivos são claros e assumidos por todos desde o primeiro dia, evoluir a cada treino para podermos chegar ao próximo jogo e sermos competentes naquilo que fazemos. E é claro, a vitória é sempre o nosso foco. No final da primeira fase queremos estar nos quatro primeiros lugares.
 
Com a pandemia e paragem das competições a AF Porto reestruturou a divisão Elite, agora com duas series de 10 equipas. Como analisas esta reestruturação? 
Fruto da situação causada pela pandemia, o não termino dos campeonatos, não havendo descidas de divisão, mas havendo subidas, a necessidade de alargar o número de equipas na divisão de Elite era imperativo. A reestruturação desta competição em duas séries parece-me razoável, apesar de um campeonato com 20 equipas daria mais verdade desportiva, jogando todos contra todos.
 
O Paredes ficou colocado na serie A, em que tem alguns dos principais candidatos à subida de divisão. Que avaliação fazes ao sorteio?
Não me refugio na dificuldade. O sorteio quis que ficássemos com alguns candidatos à subida, equipas experientes, algumas que conhecemos bem e outras que subiram da Divisão de Honra e que certamente terão muito valor. Mas da nossa parte esperem um União a lutar pelos três pontos em todos os jogos.
 
Quem consideras os principais favoritos a seguirem para a 2ª fase?
Nesta fase, por toda esta conjuntura, confesso que não há grande conhecimento das equipas, mas pela experiência do ano passado, tenho de realçar as equipas da Ordem e Bougado, que apesar de apresentarem características completamente diferentes são equipas experientes e competitivas. Depois o Granja apresenta sempre uma equipa com boas dinâmicas. Pelo trajeto que tem feito nos últimos anos, o Maia assumirá certamente aqui um papel importante na luta pelos lugares cimeiros. No entanto, estou convencido que será uma série muito competitiva e que as diferenças entre as equipas serão mínimas.
 
Que ideia de jogo procuras transmitir aos teus atletas? 
Temos no plantel uma média de idade de 27,8 anos, no entanto muitos jogadores tocam os extremos. Sei a realidade do clube, conheço muito bem as potencialidade e fraquezas de cada jogador e os patamares de progresso que existem em muitos deles. Temos um modelo de jogo definido e os princípios são trabalhados a cada treino, para que todos saibam o que se pretende. Há ideias que estão sempre presente: compromisso, rigor e vontade de evoluir. 
A relação entre todos é ótima e por isso o futuro passa pela transmissão de valores, ideias e inclusão de novos jogadores naquilo que pretendemos. Por vezes, não temos à nossa disposição as condições ideais, mas acredito num futuro risonho e de sucessos.
Dentro da tua ideia e sistema de jogo, ao longo da semana o que procuras mais trabalhar e realçar no treino?
De acordo com as características dos jogadores que constituem o plantel e do conhecimento técnico/tático entre eles, optamos por um Modelo de Jogo que potencia as diversas componentes (técnico-táticas, físicas e psicológicas). Temos os diferentes ciclos de treino programados, mas o que norteia o trabalho diário são os microciclos e as unidades de treino. Assim, o treino e todos os exercícios são enquadrados no nosso modelo de jogo, sistema tático predominante e princípios definidos. Procuro potencializar ao máximo o jogador, as suas características e aquilo que cada um pode acrescentar à equipa. É claro que existem adaptações e alterações ao longo da época, fruto de adversidades e das características das outras equipas. Sempre que possível, recolho informação dos adversários e na semana de treino que os antecede transmito aquilo que é mais importante (pontos fortes e menos fortes) e nos treinos adaptamos e ajustamos situações táticas. Mas acima de tudo, mantendo a nossa identidade e os nossos princípios.
 
Falando um pouco do teu plantel, este é composto por um misto de experiência e jovens atletas. Consideras que tens um plantel equilibrado para dar uma boa resposta na próxima época? 
Em termos de plantel, mantivemos quase todos os elementos e tivemos a entrada de um ex-júnior e um regresso de um jogador após paragem de um ano (recuperação de lesão). Se me perguntarem se estou satisfeito com o plantel, um treinador está sempre recetivo à inclusão de jogadores que acrescentem qualidade. Confesso que existe uma ou outra posição que gostaria de reforçar. Mas deixa-me realçar o grupo de jogadores que tenho à disposição, tanto como homens, como jogadores com vontade de evoluir e absorver tudo o que lhes é transmitido. Quem nos acompanha de perto nota a evolução que tem ocorrido neste último ano. 
 
Muitas das vezes fala-se da pouca aposta dos jovens da formação na equipa sénior, a USC Paredes tem vindo a incluir jovens no seu plantel sénior. Quais são as maiores dificuldades que os jovens sentem ao chegar ao plantel sénior para se afirmarem?
Este é um aspeto fundamental em todo o processo e desenvolvimento de um clube. E aqui tenho de ser crítico, não para apontar seja o que for, mas tentar ser construtivo. É um facto que têm sido incluídos alguns jogadores da formação, pelas diversas razões, mas o trabalho que se vai fazendo é muito residual. As dificuldades ao chegar ao escalão sénior e a níveis competitivos mais elevados são notórias, quer ao nível técnico, tático, físico (intensidade) e mesmo mental (exigência e compromisso). O trabalho de inclusão penso que está a ser feito de forma consistente e assente em bases sólidas. Quanto ao futuro, com a reconstrução do pavilhão no centro da cidade, espero que o clube se organize e crie bases de formação em todos os escalões.
A primeira jornada do campeonato é frente ao recém promovido Urbanização Areias. Que equipa esperas encontrar?
Esperamos uma equipa competitiva, intensa e agressiva, que vai certamente querer começar o campeonato da melhor forma. Mas estamos focados nas nossas ideias e sabemos o que temos de fazer para levar de vencido o nosso adversário.
 
Qual a mensagem que gostarias de deixar aos adeptos e aficionados do futsal da USC Paredes?
Aos nossos adeptos e associados só peço que apoiem este grupo e esta equipa da maneira que puderem porque estes jogadores merecem. Deixo uma mensagem de compromisso, ambição e promessa que a cada jogo tudo faremos para se sentirem contentes e orgulhosos com a equipa de futsal.
Principalmente em casa, a força deles é sempre um conforto e motivação para todos, mas mesmo dentro das limitações que existem no acesso aos pavilhões, quero pedir-lhes que nos apoiem. Em breve estaremos mais próximos...União, União, União!
Carlos Esteves e Camilo Silva

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Data de publicação: 2020-10-14

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