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"Novo circuito Lousada? Talvez seja uma boa altura para pensar no assunto"

Joaquim Machado é um lousadense apaixonado pelo automobilismo e aos 46 anos é um dos nomes de maior referência no Ralicross nacional. Iniciou a carreira na Velocidade, mas um desafio fez-lhe seguir para Ralicross, atualmente compete na classe Rainha, Super 1600 e é o atual vice-campeão nacional, numa época que terminou precocemente. Joaquim Machado na Entrevista ao Complexo Desportivo falou-nos um pouco de tudo relativamente ao Ralicross atual e as projeções para a próxima temporada.
 
Entrevistador: Luís Leal
Entrevistado: Joaquim Machado
 
COMPLEXO | Como surgiu a paixão pelo automobilismo e pelo Ralicross? Conte-nos um pouco da sua história.
Joaquim Machado | Como todos os lousadenses, a paixão nasceu por ter o desporto automóvel “à porta”. Comecei na Velocidade, no Troféu Fiat Uno, que venci. Uma das minhas melhores memórias é, sem dúvida, a vitória que conquistei no Circuito da Boavista com um Fiat 500. Entretanto, passei para o Troféu Punto, fiz uma “perninha” nas 24 Horas de Fronteira e alinhei em Resistências de Ralicross. 
O Jorge Ribeiro, da Kaxa & Motor, que sempre me acompanhou no automobilismo. Já há algum tempo me queria trazer para o Ralicross. Foi ele que me “empurrou”, tratou de todo o negócio do Peugeot 206, sem eu saber de nada. Foi quase um ultimato, do tipo “o carro está negociado, é só aceitares” e claro lá tive de lhe fazer a vontade (Risos).
 
A pandemia veio alterar algumas dinâmicas, quer competitivas quer a nível da preparação dos pilotos. Quais as alterações e dificuldades mais significativas que sentiu com a pandemia?
A pandemia veio tirar o ritmo à competição, durante a época, vamos apurando os sentidos, as pausas vieram destabilizar. Depois, a impossibilidade de realizar testes, fez muitas vezes com que o ritmo se perdesse. Por outro lado, o fator psicológico, não ajudou, andamos todos um pouco assustados com a situação.
Numa temporada atípica, com paragens, recomeços e muita indefinição, que balanço faz da época?
Esta época, é, para mim, uma época inacabada. Fizemos metade da época e estava tudo por decidir, quando a Federação resolveu dar por terminado o Campeonato. A época estava a correr bem, mostramos o nosso valor, estávamos na luta. Infelizmente não foi possível acabar e atingir os nossos objetivos.
 
A Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, acabou por decidir em dar por terminada a época. Qual a sua opinião relativamente à decisão?
Numa divisão tão competitiva como é a Super 1600, não se realizar uma prova, especialmente quando o número de provas já tinha sido reduzido, deita por terra todo o Campeonato. Éramos quatro concorrentes com hipótese de discutir o título, na última prova. Curiosamente, na minha divisão, todos ou quase todos os pilotos queriam fazer esta última prova. Foi desmoralizante e desmotivante para todos nós. A FPAK tomou uma posição sem ouvir os principais intervenientes, aliás, muito à semelhança do que lhe é habitual.
 
Acabou por terminar no 2º lugar com os mesmos pontos do Rogério Sousa. Sente algum “amargo de boca” por não ter a possibilidade de disputar a última prova e poder ter-se sagrado campeão de Super 1600? 
Acima de tudo, o sentimento é de injustiça. O título é estabelecido contrariamente ao que é o Ralicross. O Ralicross é uma modalidade de sprint, em que se anda sempre ao máximo. Foi injusto para todos os que ganharam corridas e que tinham uma palavra a dizer, quanto aos resultados, na última corrida.
 
Como tem sido a experiência de pilotar o Peugeot 208?
O Peugeot 208 é uma máquina! Um carro poderoso, capaz de assustar quem não está habituado a ele. Quando testamos o carro, na sua chegada ao nosso país, gostamos muito, é uma viatura muito competitiva. O carro tem alma e coração e claro, algumas condicionantes que aprendemos a contornar. Já conheço muito bem o comportamento da viatura.
Na sua opinião, como tem evoluído o automobilismo em Portugal e concretamente o Ralicross?
Na minha opinião não tem evoluído! Embora possa parecer que sim, quando se olha para a Super 1600, que é a divisão rainha. Continuamos a ser o país dos mais “atrasados”, em que os regulamentos nos condicionam bastante.
Noutra vertente, acho que merecemos mais projeção e mais apoio por parte da Federação, precisamos de quem lute pelo Ralicross, de quem dê à modalidade o estatuto que ela merece.
 
O que a FPAK deverá fazer para que o Ralicross em Portugal consiga atingir patamares competitivos superiores? 
Tem de deixar de olhar para o Ralicross como o “parente pobre”, continuamos a ser mal conotados no automobilismo. Apesar dos grandes investimentos feitos pelos pilotos, continuamos a não ter voz ou retorno.
De uma forma geral, é necessário que as coisas sejam feitas atempadamente, por exemplo os regulamentos. Estamos a cerca de dois meses do início da época e ainda não existem regulamentos ou calendários para a maioria das modalidades. Infelizmente isto não acontece só este ano, por causa da pandemia, é usual os regulamentos serem publicados pouco antes da primeira prova. 
Assim, é impossível planear uma época e reunir patrocínios.
A Federação tem, necessariamente, que fazer mais e melhor em prol do automobilismo.
 
Pensando já na próxima temporada, quais os principais desafios e objetivos?
Como já referi, não sabemos como será 2021. Sem regulamentos e calendários, não podemos fazer planos. Sinceramente, neste momento não sabemos se vamos ou não fazer o Campeonato. Os regulamentos são regras que teremos de aceitar, sem saber quais são as regras, não posso saber se vou ao jogo.
 
Se tivesse o poder de decisão quais as alterações que incorporava relativamente ao calendário para 2021?
Sem conhecer o calendário para 2021, mas acreditando no que se diz nos bastidores. Acho que nove provas são exageradas. Com início no final de março e uma pausa em agosto, por exemplo, teremos nove provas em seis meses. Fica pouco tempo, entre as corridas, para resolver qualquer problema que possa existir nos carros.
Além dos elevados custos das nove provas, os nossos motores, por exemplo, não fazem uma época inteira sem uma grande manutenção.
 
Na próxima temporada alguma novidade relativamente ao carro que nos possa adiantar?
O carro será o mesmo, sem grandes novidades. Possivelmente, com uma decoração nova. Mas ainda está tudo em aberto.
 
Em algumas provas o Joaquim Machado foi crítico relativamente a algumas organizações. Considera que deverá haver uma regulamentação e fiscalização mais eficaz por parte da FPAK? Porquê?
Com cinco circuitos a exigirem duas provas, é impossível a entrada de outro circuito, como é o caso de Baltar. Essa é uma das questões para a existência de uma avaliação, que deverá ser pública. Essa transparência irá forçosamente levar a melhorias. Acredito que ao retirar uma prova aos clubes mais mal cotados, obrigaria a um esforço suplementar, de forma a melhorar a organização.
Por outro lado, é inadmissível que uma organização esteja mal preparada para organizar uma prova. Que desconheça os regulamentos e que analise as situações em função dos pilotos em questão. Temos de ter clubes mais profissionais, com mais brio no seu trabalho. Pessoas que saibam o que estão a fazer, não podemos, por exemplo, andar a explicar como se faz a grelha enquanto ela está a ser feita! Quem o faz tem de ser penalizado. 
 
O automobilismo é um desporto bastante dispendioso, qual o orçamento anual para competir no campeonato nacional?
Depende! Depende da divisão e dos objetivos, existem divisões menos exigentes que a super 1600. Claro que podem ser menos emocionantes. Quanto à divisão em que corro, considerando o nível dos pilotos e das máquinas, o orçamento é alto. Começa pelo valor da viatura em si. A título de exemplo, os motores andam na ordem dos 50 mil. Depois existem outras despesas, só as inscrições, deslocações, alojamento e refeições representam um valor considerável. Facilmente se gastam mais mil euros com essas pequenas despesas. Nem vale a pena falar do preço das fibras e para-choques, que muitas vezes ficam na primeira curva.
O orçamento é elevado, mas o Ralicross continua a ser das modalidades mais baratas do nosso panorama automobilístico. 
 
Uma aventura internacional é um dos seus objetivos/desejos no futuro? Quais as condicionantes que dificultam a participação internacional dos pilotos nacionais?
Uma aventura internacional era muito interessante, mas não me parece que seja possível, sem entrar em conflito com a minha atividade profissional. Esta deverá ser também o que condiciona os meus colegas, além do orçamento necessário para fazer provas internacionais, evidentemente.
 
Direcionando um pouco para a realidade mais local. Como piloto que conhece a Pista da Costilha, como olha para a atual situação de conflito inerentes ao circuito? 
Quanto aos conflitos existentes neste momento, não me prenuncio, até porque não conheço a situação o suficiente. Como lousadense e amante do desporto automóvel, tenho pena de ver esta situação. Já há muitos anos que se fala, num novo circuito, talvez seja uma boa altura para pensar no assunto ou em resolver, de uma vez por todas, a questão dos terrenos do Eurocircuito.
 
Lousada é tradicionalmente um concelho ligado ao automobilismo e ao Ralicross, mais especificamente. De que forma analisa a política desportiva seguida relativamente ao automobilismo na região?
Lousada foi o berço do Ralicross, todos nós crescemos a ver corridas no Eurocircuito. Segundo sei, a edilidade local tem feito os possíveis para apoiar o desporto automóvel e o Clube Automóvel de Lousada. Até mesmo para apoiar os pilotos da região. Muito mais poderia ser feito, com certeza, mas não me sinto esquecido enquanto praticante.
O público tem sido uma das maiores ausências. Quais as principais diferenças que um piloto sente em correr com e sem público?
Sinceramente, quando estamos dentro do carro, nem vemos o público. No entanto, ao sair do carro e ver as bancadas vazias, somos invadidos por um grande sentimento de tristeza. Especialmente na prova de Lousada, em que estou em casa, faltou a família e os amigos. E sem eles a festa não é a mesma.
 
Que mensagem gostaria de deixar aos aficionados do automobilismo e particularmente aos que seguem e apoiam o Joaquim Machado?
Antes de mais, se me permitem, um agradecimento especial para os meus patrocinadores e para a minha equipa, a Kaxa & Motor, sem eles o Campeonato não seria possível.
A todos os aficionados, o meu mais sentido obrigado. São vocês que me dão ânimo e que muitas vezes que “obrigam” a ir à corrida seguinte. Só posso agradecer o carinho que recebo.
 
Fotos: Joaquim Machado

 

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Data de publicação: 2021-01-18

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Comentários

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