Boa entrevista. Parabéns. Permitam-me só a crítica construtiva: não pode ter erros. Conquistaste (e não consquitas-te); aprendeste (e não aprendes-te).
ENTREVISTA "A subir uma equipa ao Campeonato Portugal, temos de ser nós"
Jorge Pinto é um treinador que se tem diferenciado na Divisão Elite AF Porto, com a tarefa de colocar o conjunto salgueirista no Campeonato Portugal. Natural de Paranhos (Porto) vive o sonho de treinar o clube da sua paixão, depois de ter representado o clube nos tempos áureos dos emblemas históricos do futebol português.
11 PERGUNTAS RÁPIDAS (uma ou duas palavras)
Treinador de referência? Jurgen Klopp
Cidade preferida? Porto
Como te defines? Frontal e Organizado
A tua paixão? Futebol
Música de uma vida? Coldplay
A maior troféu? Os meus filhos
Personalidade de referência? Maradona
O que te faz rir? O meu filho
O que te desconcentra? A minha mulher
O amor para ti é? Compreender
Complexo é? Informação desportiva
Entrevistador: Luís Leal (Complexo Desportivo)
Entrevistado: Jorge Pinto
Complexo Desportivo: Foi uma das peças do mítico Salgueiros quando o clube ainda estava na Primeira Liga? Aprendes-te muito nesses anos ao mais alto nível?
Jorge Pinto: Sim, claro. Foram anos fantásticos, tive o privilégio de ter jogado com vários jogadores, com uma qualidade acima da media, entre eles internacionais de vários países e vários treinadores, com ideias e lideranças diferentes, num contexto de 1ª liga e não só. Joguei nas divisões todas do futebol português até a Elite da AFP, o que me deu um conhecimento muito abrangente do futebol em vários contextos , logicamente o que sou hoje como treinador tem uma grande fatia dessas vivências.
Quando “arrumaste as botas”, já sabias que queria ser treinador?
Numa fase avançada da minha carreira, os meus colegas diziam que eu tinha perfil para ser treinador, devido à minha liderança, ao rigor e profissionalismo que colocava em tudo que fazia, foi quando comecei a tirar o curso de treinador e a treinar os sub 13 do FC Infesta, ainda jogava pelos seniores do clube o que deu para perceber que realmente era esse o caminho que tinha que seguir.
Ao serviço do Infesta conquistas-te o regresso do clube à Elite (2016/17) e presença nas meias-finais da Taça AF Porto da mesma época. O que significou para ti esse título?
Tenho que agradecer aos responsáveis e aos jogadores do Infesta, tudo que conquistamos juntos, ao falar do Infesta enquanto treinador tenho que dividir em três momentos.
O primeiro foi quando me convidaram para treinar os seniores do clube, no momento mais difícil da historia do clube, estava em vias de descer de divisão e tiveram a coragem de me dar a responsabilidade de salvar o clube da descida de divisão, descida essa que se viesse a consumar o futebol sénior poderia acabar, onde a permanência foi conquistada na penúltima jornada, festejamos como se tivéssemos subido de divisão, foi o meu primeiro ano como treinador de futebol seniores e também o ano em que mais aprendi como treinador.
O segundo momento, foi a época que falas, sem ninguém me pedir a subida divisão e com o orçamento mais baixo da divisão, percebi que tínhamos capacidade para lutar pela subida e conseguimos fazer uma época fantástica, subir de divisão, ir as meias finas da Taça AF Porto , perdendo com o Canelas que viria conquistar a Taça, onde praticávamos um futebol de grande qualidade reconhecido por todos , onde um jogador nosso, Diogo Sousa, foi transferido para a I liga ( V Setúbal) , um feito quase inédito nos dias de hoje.
O terceiro momento, foi o consolidar do clube na Elite da AFP, dois anos seguidos mais uma vez com o orçamento mais baixo da divisão, praticando sempre um futebol positivo, tentando valorizar os jogadores e apostar em jogadores da formação, consolidamos o clube na maior divisão da AFP, fazendo épocas tranquilas.
Logicamente, que fazendo um balanço do trabalho que desenvolvi no FC Infesta é muito positivo, atingi e superei objetivos, mesmo na formação onde consegui subir os sub 13.
Devo o que sou hoje como treinador à oportunidade que deram no FC Infesta.
Quais as características mais importantes que um grupo de trabalho deve possuir para atingir o sucesso desportivo?
Primeiro os jogadores têm que perceber que são todos diferentes, têm que se respeitar e compreenderem-se uns aos outros, serem solidários, como grupo não podem deixar ninguém cair, isso para mim é o mais importante. Depois, é o foco no objetivo, estarem todos focados e comprometidos com o objetivo.
Qual o momento do jogo em que investes mais tempo de preparação? E porquê?
O momento ofensivo sem dúvida. Sou um apaixonado pelo futebol de ataque, um futebol de coragem, não é por acaso que somos o melhor ataque e as minhas equipas fazem e criam muitas oportunidades de golo, porque se fizermos mais um golo que o adversário, ganhamos.
Certamente, que tiveste oportunidade de trabalhar com vários jogadores de renome. Qual foi o jogador que mais gostou de treinar e porquê?
Tenho tido a felicidade de trabalhar com muitos jogadores comprometidos e focados felizmente, era injusto agora salientar algum em especial, mas o que mais admiro num jogador é o compromisso e o foco com que treina e joga, porque uns vão ao treino, outros vão treinar, o que é muito diferente.

CD: Foi difícil a decisão de deixar o Infesta e ir para o Salgueiros? Como surgiu a oportunidade?
Já tinha tido em anos anteriores oportunidades de sair, mas sempre achei que não era o momento certo, mas no fim dessa época 2018/2019 já tinha decidido que o meu ciclo no FC Infesta ia acabar. Foi sempre uma decisão difícil, tendo em conta a responsabilidade que tinha no clube e a gratidão que sempre tive pela oportunidade que me deram.
Fui convidado pelos responsáveis do Salgueiros, ainda a época não tinha terminado em meados de abril, onde me apresentaram o projeto do clube e naturalmente não podia recusar. Sinceramente, nessa altura, não estava à espera de ser abordado, visto o campeonato ainda não ter acabado.
CD: É uma responsabilidade acrescida orientar o Salgueiros, tendo em conta o historial que tem no futebol português?
O Salgueiros é um histórico do futebol português, um clube centenário, o que tenho a dizer é que é um orgulho para mim liderar um clube como o Salgueiros, o clube da minha terra, da freguesia onde nasci. Claro que é uma grande responsabilidade orientar um clube com esta história, mas preparei-me para essa responsabilidade.
Não me posso esquecer que o clube em 3 anos teve 10 treinadores, a mim no início também me davam 3, 4 jogos...
Como encontrou o balneário?
Só transitaram 3 jogadores da época passada, tivemos que formar uma equipa completamente nova.
Deram-me total autonomia para escolher jogadores e construir uma equipa para subir ao CPP, dentro do orçamente delineado, como é óbvio, muito mais baixo que o da época anterior, a equipa também não ia ser profissional.
A autonomia que me deram foi fundamental para o sucesso que a equipa está a ter atá ao momento, ou seja, escolher jogadores adaptados ao contexto e identificados com o clube e com a sua exigência. Tínhamos uma base de dados com vários jogadores por posição.
O Salgueiros, neste momento, tem uma estrutura e um staff onde todos estão focados e alinhados no mesmo objetivo, é essa a nossa grande mais valia, conseguimos construi um grupo fantástico, jogadores de caráter, que sentem e vivem o clube como ninguém.
Nesta época, que tem sido emocionante a todos os níveis, recorda-se de algum jogo que te tenha marcado?
Sim, quando jogamos contra o Infesta na Arroteia, preferia ter perdido o jogo que sentir o que senti e ouvir o que ouvi no fim do jogo, dei a vida pelo FC Infesta e custou-me muito, mas são coisas do futebol.
Compreendo que a maneira como sai do Infesta não foi a melhor, fui abordado pelo Salgueiros ainda era treinador do Infesta, embora seja normal, os jogadores não estavam preparados, depois saiu uma notícia que me dava como treinador do Salgueiros , ainda não tinha comunicado aos jogadores, ia comunicar no primeiro treino da semana e a notícia saiu sábado, ou seja, os jogadores ficaram a saber sem ser por mim, embora já tivesse falado com o presidente do clube, que estava a par da situação, mas os jogadores ficaram magoados o que compreendo, no entanto não tive como alterar a situação.

CD: O Salgueiros tem uma massa adepta muito fervorosa. Existe muita pressão pelos resultados? Como lidas com isso?
O Salgueiros tem adeptos bairristas, apaixonados pelo clube, que sempre foram a base do clube nunca deixaram o clube cair, mesmos nos piores momentos, exigem muito, costumo dizer que uma derrota aqui vale 9 pontos, não gostam de perder, nunca estão contentes.
No início não foi fácil, mesmo para alguns jogadores que não estavam habituados, mas os adeptos já perceberam que esta equipa dá a vida por eles, jogam com alma, dão tudo em cada momento, mesmo quando não conseguimos ganhar, a equipa nunca deixou de lutar pela vitória e jogar para ganhar.
CD: Quais são os pequenos pormenores que o futebol distrital pode melhorar num futuro próximo?
Não faz sentido existirem duas séries na Divisão de Elite da AFP e irem disputar um play off para subir uma equipa, devia de haver uma série e o primeiro subir direto.
O futebol distrital está cada vez com mais visibilidade, existem cada vez mais pessoas competentes e disponíveis para fazer evoluir o futebol distrital, existe cada vez mais comunicação, mais conhecimento com o que se passa no futebol distrital e isso aumenta a exigência.
Acho que deviam apostar mais na modernização dos complexos desportivos, melhor as condições, tanto para os praticantes como para os adeptos.
CD: Devido à pandemia Covid-19, os campeonatos estão suspensos por tempo indeterminado. Na tua opinião, qual o impacto que terá na vida dos clubes?
O impacto é brutal, principalmente a nível financeiro, existem clubes que vivem acima das possibilidades, esses estão mais expostos, neste momento os clubes têm que arranjar formas de poder contornar esta adversidade, somos um povo e um país solidário, que juntos vamos conseguir contornar este momento.
CD: Seria frustrante, depois de um percurso que lhe garante o play off, ver os campeonatos serem cancelados e não poderem disputar a subida ao Campeonato de Portugal. O que tem pensado sobre isso?
Naturalmente, tenho refletido muito acerca do que vai acontecer, ouvem-se muitas coisas, mas nada de concreto, o que sei é que o campeonato não pode ser cancelado, sou da opinião que tem de ser concluído, quando houver condições, ou acabar com a classificação do momento e aí tínhamos que subir. A subir uma equipa ao Campeonato Portugal, temos de ser nós. Somos a equipa que tem mais pontos das 2 séries, este ano diferenciamo-nos das outras equipas e tudo isto não pode cair em saco roto... como também temos que ter em conta o investimento dos clubes, existem clubes que investiram para subir e não se pode acabar assim. Acredito que para a grande maioria dos clubes o cancelamento não tenha impacto, agora para nós Salgueiros, depois do campeonato que estamos a fazer, não pode acabar assim, até podemos nem conseguir subir, mas têm que nos dar oportunidade de acabar a época e concretizar o nosso objetivo.
CD: Irás continuar para a próxima época no Salgueiros? Podes adiantar-nos alguma coisa?
Já fui abordado pelo clube, mas ainda existem muitas situações pendentes para eu poder decidir o que é melhor para o clube e para mim.
Fotos cedidas por Jorge Pinto
Data de publicação: 2020-03-29
Comentários
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Rui Pinheiro
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