Análise | Que Croácia é esta, vice-campeã mundial que defronta Portugal
Talentosa, tecnicamente interessante, muito competente a atacar e agora mais forte no processo defensivo - esta é a descrição genérica de uma Croácia que se prepara para enfrentar Portugal na abertura da Liga das Nações, já no próximo sábado.
Na baliza, antevê-se a titularidade de Livakovic, um competente guarda-redes que tem sido dono da baliza do Dínamo de Zagreb e que na seleção é acompanhado por dois guardiões que são duas mais-valias para a seleção, com os reflexos apurados de Simon Sluga e o bom posicionamento, segurança entre os postes e competência técnica do novo reforço do Atlético de Madrid, Ivo Grbic, a serem alternativas válidas para proteger as redes da Croácia.
No setor defensivo, a qualidade tanto a atacar como a defender pelos flancos está assegurada com a presença de Jedvaj (Bayer Leverkusen) e Vrsaljko (Atlético de Madrid), mas também com o titular no flanco esquerdo da defesa do Glasgow Rangers, Borna Barisic, à espreita de uma oportunidade. No eixo, impera a dureza no desarme, a qualidade posicional defensiva e a maturidade competitiva de Lovren, agora no Zenit, e o perfil mais arrojado mas muito forte tanto nos desarmes e antecipações aos adversários como na velocidade como recuperam a sua posição nos momentos de transição ataque-defesa de Caleta-Car, jovem central do Marselha que futuramente assumirá as rédeas da defesa croata, e de Domagoj Vida, que continua em bom momento de forma no Besiktas.
A meio-campo, há dois nomes a ter debaixo de olho - Mario Pasalic e Nikola Vlasic. O primeiro pela grande evolução registada ao serviço do Atalanta, autor de movimentos de rutura sempre muito perigosos, que o colocam várias vezes em excelente posição para finalizar, e o segundo pela combinação de características como o bom remate com os dois pés, a qualidade de drible e de condução de bola mesmo em espaços reduzidos e com intensa pressão dos adversários e a mestria com que organiza o jogo a meio-campo no CSKA Moscovo. Contudo, estes destaques são mais pela idade mais jovem de ambos (particularmente de Vlasic), porque se calhar a titularidade vai para homens como Marcelo Brozovic (Inter) e Mateo Kovacic (Chelsea), ambos com um domínio notável em todos os princípios de jogo e atletas de excelência no setor intermediário. Com características mais defensivas, Milan Badelj (Fiorentina) pode ser importante na hora de dar cobertura posicional a tanto talento, e proteger a equipa de ataques rápidos dos adversários.
No ataque, há soluções para todos os gostos, desde flanqueadores como Perisic (Bayern de Munique) e Brekalo (Wolfsburgo), homens que, pela sua mobilidade e inteligência tática, funcionam muito bem como «segundos avançados» como Ante Rebic (AC Milan) e «artilheiros» como Kramaric (Hoffenheim), Ante Budimir (Maiorca), Bruno Petkovic (Dínamo de Zagreb) ou Antonio Colak (Rijeka).
No comando da seleção desde 2017, Zlatko Dalic foi o «obreiro» da chegada à final do Mundial de 2018, que culminou com a derrota por 4-2 frente à França. Espera-o um trabalho difícil, numa seleção que procura estar ao nível de uma autêntica geração de «estrelas», em que Modric, Rakitic, Srna, Subasic ou Mandzukic marcaram a última década do futebol croata.
Texto: Gonçalo Novais
Data de publicação: 2020-09-05
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