ANÁLISE | Suécia um coletivo sem figuras com obrigação de vencer
Sem a qualidade de outros tempos mas ainda com jogadores bem interessantes e três ou quatro deles de elite, a Suécia recebe Portugal numa procura urgente por pontos na Liga das Nações, depois da derrota caseira por 1-0 com a França, na ronda inaugural do Grupo 3 da Liga A.
A baliza está entregue ao temerário e elástico Robin Olsen, um «trintão» que apareceu em muito bom nível no futebol italiano em 2018/19 e que dá segurança, competência posicional e reflexos apurados a uma baliza sueca que também pode contar com Karl Johnsson, figura de referência num FC Copenhaga que se destacou nas competições europeias, e Kristoffer Nordfeldt, que alinha nos turcos do Gençlerbirligi.
Num setor defensivo pleno de experiência, existem praticamente duas boas alternativas para cada setor. À direita, Mikael Lustig parece estar em vantagem na luta pela titularidade relativamente a Emil Krafth, talvez pelo seu maior refinamento técnico, inteligência tática, capacidade de surgir em bom posicionamento para finalizar na sequência das suas incursões ofensivas e qualidade no jogo aéreo, que favorecem ligeiramente o lateral do AIK. Para o flanco esquerdo, até há três soluções, mas a melhor parece ser Pierre Bengtsson, lateral do Copenhaga que se destaca pelos cruzamentos milimétricos e excelência na execução de lances de bola parada, com Ludwig Augustinsson (Werder Bremen) e Martin Olsson (Helsingborgs) à «espreita» de uma oportunidade. No meio, o «red devil» Victor Lindelof é intocável, e compete a centrais razoáveis como Filip Helander (Rangers), Pontus Jansson (Brentford) e Sebastian Holmén (Willem II) a luta por um lugar no «onze».
No meio-campo, o jovem centrocampista com características ofensivas Mattias Svanberg é talvez o atleta mais apetecível de acompanhar também por uma polivalência que o tornam adaptável ao lugar de médio descaído para qualquer uma das alas, ele que também no seu pé direito uma grande mais-valia, tal como acontece com os remates sempre bem colocados. Médio-defensivo no Sampdoria, Albin Ekdal mantém na seleção a função de «guardião» da equipa no centro do terreno, Kristoffer Olsson (Krasnodar) é sempre um potencial perigo nas jogadas de combinação ofensiva com os seus companheiros e atenção aos livres diretos de Sebastian Larsson (AIK) que, aos 36 anos de idade, ainda tem energia suficiente para fazer movimentos de rotura em velocidade caso as defensivas adversárias se encontrem desposicionadas no seu processo defensivo.
No ataque, encontramos duas «pérolas» de 21 anos, o desconcertante e rápido extremo do Real Sociedad, Alexander Isak, e Dejan Kulusevski, novo reforço da Juventus que já se afirmou em pleno na Serie A. Os flancos têm outras duas soluções de grande qualidade e mais experientes, com Emil Forsberg (Leipzig) e Ken Sema (Udinese) a serem claramente dois jogadores acima da média. Num país habituado a ter avançados-centro/pontas-de-lança de muita qualidade, cabe a Robin Quaison (Mainz), Marcus Berg (Krasnodar), Kiese Thelin (Malmo), Sebastian Andersson (jovem muito interessasnte do Union Berlin) e John Guidetti (Alavés) a tarefa de alvejar, na frente de ataque, as redes portuguesas na segunda ronda do grupo.
No banco da Suécia desde 2016, Jan Andersson tem pela frente a difícil tarefa de renovar uma equipa que, pese embora os jovens de grande valor que estão a aparecer, está a ver uma geração de jogadores experientes e competentes na reta final de carreira sem perspetivas, pelo menos para já, de haver uma nova geração capaz de substituir a «velha guarda» com manutenção de qualidade. A qualificação para o Euro'2021 está, pelo menos, assegurada. A ver vamos o que fará a Suécia na Liga das Nações.
Texto: Gonçalo Novais
Foto: Besocer
Data de publicação: 2020-09-07
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