Félix da Costa | Da entrada na Formula 1 a Campeão da Formula E
Prestes a completar 29 anos de idade como o novo campeão mundial de Formula E, António Félix da Costa obteve a sua consagração máxima no desporto motorizado internacional, após uma carreira repleta de altos e baixos, conquistas e desilusões, e muitas aventuras pelo caminho.
Depois de uma brilhante carreira nos karts, em que conquistou títulos nacionais e excelentes classificações nas World Series Karting Championship e nos Italian Open Masters, António Félix da Costa assume-se como grande promessa do desporto nacional quando, nos anos de 2008 e 2009, obtém resultados de enorme categoria na sua passagem pela Formula Renault. No primeiro destes anos, o «craque» português seria vice-campeão na Formula Renault 2.0 Northern European Cup em representação da equipa germânica Motopark Academy, e só seria batido nos pontos pelo bem conhecido Vallteri Bottas. Em 2009, as desclassificações na ronda de Nurburging impediram-no de vencer a Eurocup Formula Renault 2.0, mas na Northern European Cup o título final foi uma realidade, num ano em que o português foi uma das grandes referências da época, a par do dinamarquês Kevin Magnussen (hoje na Formula 1), do brasileiro Pipo Derani (excelente piloto de protótipos, atualmente no IMSA) ou do seu atual colega de equipa, Jean-Éric Vergne.
Entre 2010 e 2012, chega o período em que fica «à porta» da Formula 1. No primeiro destes três anos, torna-se piloto de testes da Force India, mas é nas conceituadas Formula 3 Euro Series que investe, ao levar o seu Volkswagen F308/098 da Motopark Academy a três vitórias entre as 18 corridas realizadas. Em 2011, muda-se para a equipa irlandesa Status Grand Prix e realiza uma época modesta, com aparições principalmente nas GP3 Series, até que em 2012 as coisas voltam a correr muito bem. Piloto de testes da fortíssima Red Bull Racing que desafiou os adversários na Formula 1 com um fantástico Renault RS27-2012 pilotado por Sebastian Vettel e Mark Webber, Félix da Costa termina em terceiro nas GP3 Series e quarto na Formula Renault 3.5 Series, classificação que melhoraria no ano seguinte, em que seria terceiro.
O «salto» para a Formula 1 tardava e, talvez por isso, chegou a altura de enveredar por novos desafios na carreira. É então que surgem as passagens, entre 2014 e 2017, pelo DTM e a estreia na Formula E, pela estrutura da Amlin Aguri. Do fantástico campeonato automobilístico alemão, Félix da Costa guarda passagens ao serviço da BMW, e foi com o seu M4 da Team Schnitzer que obteve um grande triunfo na segunda corrida de Zandvoort em 2015, e mais três pódios nos três anos de palmarés. Foi também pela BMW que Félix da Costa competiu nos melhores campeonatos internacionais de GT, com resultados interessantes sobretudo no International GT Open.
Mas seria na Formula E que iria buscar um título mundial. A entrada em cena nos elétricos dá-se em 2014/15, precisamente na época de estreia da nova competição da FIA, ganha pela diferença de um ponto pelo brasileiro Nélson Piquet Jr.. Logo nessa edição, Félix da Costa venceu a sua primeira corrida no circuito de Buenos Aires, e até acabaria a época num honroso oitavo lugar. Contudo, as três épocas seguintes ficaram assinaladas pela ausência de pódios e classificações finais medianas, longe dos corredores mais competitivos da prova.
A entrada em cena da BMW no Mundial em parceria com a Andretti Autosport marca o ponto de viragem na carreira do campeão português, na temporada 2018/19. Com uma vitória na ronda de abertura na Arábia Saudita, três outros pódios e vários lugares no «top-10», António Félix da Costa desperta o interesse da DS Techeetah, que tinha juntado na época anterior o título de construtores ao troféu de pilotos, assegurado por Jean-Éric Vergne.
E pese a competência do piloto alemão Andre Lotterer, o certo é que o investimento dos chineses em Félix da Costa não podia ter sido mais acertado. É verdade que as coisas não correram nada bem na dupla ronda de Diriyah, e os ares sauditas foram, desta feita, nefastos para o piloto luso. No entanto, os segundos lugares no Chile e no México abririam o apetite para um «vendaval» de vitórias que começou em Marraquexe e prolongou-se pelas duas primeiras rondas de Berlim, até ao quarto e segundo lugares na terceira e quarta etapa germânicas, respetivamente, selarem um título mundial mais do que justo, com uma diferença abismal para o segundo classificado, que é precisamente Vergne, que quer dar a vice-liderança à sua equipa.
Mais do que um título, este ano confirma a enorme categoria de um piloto resiliente, que muito trabalhou para ser feliz. Ao fim de tantos anos, Félix da Costa alcança um estatuto mais que merecido. Independentemente das oportunidades que possa vir a ter, este grande reconhecimento ninguém lho tira.
Texto: Gonçalo Novais
Foto: Félix da Costa
Data de publicação: 2020-08-11
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