Cristiano Magalhães e José Sousa entre os melhores no Ténis em Cadeira de Rodas
Cristiano Magalhães e José Sousa, atletas do Clube de Ténis do Marco, vão representar o seu concelho no Cadeiras de Rodas Marco IV, torneio de ténis em cadeira de rodas (TCR) que juntará, no próximo fim-de-semana, oito dos melhores praticantes do país.
Prova agendada para o próximo sábado, a Cadeiras de Rodas Marco é atualmente um dos mais credenciados no circuito da modalidade. "Este é o maior torneio de ténis realizado no concelho e um dos maiores da região. Pois para além de se tratar de um torneio nacional com a presença dos melhores jogadores da modalidade, inclusive campeões e vice campeões nacionais e regionais, conta para a definição do ranking de TCR nacional. De referir que este torneio já incorpora o calendário nacional de provas, de modo a termos todos os anos a prova na segunda quinzena de julho. Os atletas inscritos têm crescido de ano para ano, havendo algumas variações devido a torneios internacionais que acontecem nesta altura e que retiram jogadores à nossa prova uma vez que nós não pontuamos para o ranking mundial", refere Cristiano Magalhães, um dos já referidos atletas, e dos principais dinamizadores deste projeto.
Em Portugal, a modalidade tem experimentado, no entendimento de Cristiano Magalhães, um crescimento significativo, fruto do investimento da federação no sentido de trazer provas de relevo no plano internacional, e o Clube de Ténis do Marco é mesmo o clube com mais praticantes do país. "Temos recursos tanto em termos de cadeiras como de treinador e raquetes para iniciar a prática e o próprio contacto recreativo com a modalidade. Não temos é, atualmente, condições para a prática com condições meteorológicas adversas. Assim não conseguimos, de uma forma mais sustentada, ter a prática da modalidade ao longo do ano e de uma forma continuada, levando a que os praticantes do concelho procurem outras soluções que permitam a prática mais regular. Pode-se dizer que atualmente existem apenas dois clubes com a prática de TCR na Região Norte, o Clube de Ténis do Marco com quatro federados e mais três praticantes da modalidade adaptada num total de sete atletas, e o Club Sportivo Nun’Álvares com três federados. Como atleta gostaria de ver mais praticantes e em zonas mais próximas para jogar, e isso requer a prática noutros clubes que ainda não têm a modalidade e esse é, a meu ver, um dos obstáculos a superar para a evolução da disciplina".
Este projeto, bastante distintivo na região, necessita de parceiros para sobreviver, e o tenista marcoense faz questão de sublinhar o importante apoio dado por entidades, empresas e associações, em prol do desenvolvimento do TCR. "A Câmara Municipal do Marco de Canaveses é um parceiro, pois o clube funciona em instalações municipais, tendo também feito a requalificação do clube no que concerne às acessibilidades. Para além disto, também adquiriu duas cadeiras de rodas para prática da modalidade. Em termos associativos, referir a APD Paredes que, desde o início da prática da modalidade, cedeu uma cadeira de jogo que ainda se encontra disponível no clube. Uma nota também à Associação Salvador, que apoiou o atual vice-campeão regional com uma cadeira de ténis. Quanto às empresas marcoenses, mostraram desde sempre sensibilidade para com o projeto, apoiando o desenvolvimento da modalidade na medida das suas possibilidades, obviamente fruto de um trabalho de pessoalização dos praticantes da modalidade, que se têm empenhado na divulgação e na angariação de apoios junto da comunidade", frisou, antes de enunciar os próximos passos que gostaria de ver concretizados. "Tenho o sonho de poder melhorar os courts do clube, conseguir mais campos, porventura padel e cobertura, melhorar os espaços sociais do clube e por aí fora. Só com mudanças é que é possível captar mais atletas, desafiar outros clubes a investirem na modalidade e fazer com que o número de praticantes cresça. Se isto não crescer, não haverá grandes esperanças de futuro. Todos os projetos que se alicerçam numa pessoa tendem a desaparecer quando essa pessoa não está mais presente".
Texto: Gonçalo Novais
Anexos:
Data de publicação: 2020-07-16
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